segunda-feira, 1 de agosto de 2022

50.

O sopro cria à sua roda um ancestral de vela com aqueles caracteres do livro sob os ruídos da magia – evidência do fino astro agudamente medido. Os acasos derrubam sombras e luzes. Eu serei destruído pelos breves tempos. E de repente recupero a antiga cortina da criança entre os ancestrais. Quando os azuis do rosto se refletirem imóveis nos rastros verdes dos dedos, deixarás a pérola confusa onde se agitam os esquecimentos, os granizos, as melancolias e os lenços. A despedida estará acesa no aceno em branco. Irás ao silêncio entre os espaços da ânfora sem qualquer tarde, sem qualquer outono, só o pinheiro do tempo na areia. Mas, pelo impróprio século, pressentirás os anos. Quando a estátua rolar nas colunas fechadas, estarás perdido na divindade do ar – este é o arco da segunda respiração.

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