Sei que já não mais mereço silêncio pela velada nau que me abranda. Ainda assim, a brisa que brinca nessa nossa flâmula não sorri nem um pouco. Por aqui, tudo se anda com pés fingidos. No paraíso dos corações, fico a dever a silenciosa ânfora que sempre cai e se parte. Nessa partida, há de recolher uma ideia guardada para cantar o mar, a tela dos cadáveres e a cor das boas artes que sempre erram antes de se espraiar na porta que deveria ser nossa abertura arejada. Faltam ideias de outros tantos fumos, em qualquer espaço do salão vazio – ensaiar outras saídas da vida. Viver. Almas de ociosos perfumes, afundamo-nos em nossas cavernas cheias de marés e avistamos, quando muito, a ideia que do sono chove e nos assombra com apenas uma caravana baça. Não falo das áureas horas. Falo dos escombros que se justificam no choro que interioriza as estrelas do céu, viúvas e pesadas pela precária ideia de um porto. Chuva de mudez de nossos vazios. Hora das naus do alheamento olhado das pragas nas quais sentem o jaspe – pedra do tato. Negrumes da ânsia e do talhar como alegria e dor. Nenhum mármore acentuado pela nossa bondade invertida nos abre. O caminho que nos pende é que cruzamos as nossas utilidades na barricada das pedras que viçosamente crescem. Vejo todas as linhas debruçadas no vazio de uma página celeste, terrestre, incolor – o deserto é o abrigo das frases copiadas. Digo que todos aqueles que naufragam aqui nos lembram que uma navegação pelo mar só é possível quando nos amarramos ao nada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário