quarta-feira, 17 de agosto de 2022

66.

Não mereço o soar das horas pela inevitável circunstância do livro. Mesmo assim, a ideia que move minha visão oportuna não me apetece nem um pouco no espelho quimérico. Tudo se torna um facho levado por mim. No imediato do desaparecimento de todos os personagens, fico a dever o sumiço no tempo das tapeçarias, que jamais estará pronto aqui. Nesse país há de ter um livro de magia para fugir da pureza que sempre se amarra à substituição da obscuridade, que deveria ser o tombar das cortinas nas trevas. Faltam tempos, em qualquer momento do livro cujas páginas estão fechadas todas as noites. Baluartes da luz do dia, afundamo-nos na ausência dos móveis e avistamos, quando muito, a agonia do sonho que de longe acena e nos seduz com apenas a substância do nada.

Não falo de idiossincrasias. Falo das sombras, dos silêncios e das quimeras que se justificam na fala que esconde o personagem pela precária sensação do movimento absorvido. Capatazes dos panos da noite. Senhores do ébano. Atordoados detentores das sombras arrancadas da oscilação na qual se coloca a interrupção de um pêndulo oculto. Professores da percepção de si mesmos. Nenhuma categoria acentuada por si mesmo explica o sufoco do clarão de nossas percepções. A culpa que nos cabe é que tivemos definitivamente o ruído escandido na força que preenche o intervalo desaparecido, sem nenhum dever de encenar de fato a fugaz nitidez da sombra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário