terça-feira, 30 de agosto de 2022

79.

Todos os poemas devem afirmar a existência de uma lembrança homérica. Tantas Troias de bronze nas fagulhas indas da armadura. Homens da carnagem no convexo do devorador que na carne de lanças corre, pisando elmos. Mas o que pensa por ali, na fratura? Lá no miolo do osso. Lá e ali (onde?) no vindo distante do mais próximo espirro. O vômito, do crânio, cava azuis. Vê menos porque escurece mais olhos. Consciente da noite longa das Moiras. Portas altas na ceia da torre. Peplo de Helena? Nada se distingue aqui. Não há sombras ali. Escuta contemplações prateadas. Os olhos são da cadela em Troia. Na margem, os homens a circum-navegar alguma convexidade. Convexidades do bronze da armadura, da lança, dos elmos e por elas. Os olhos se olham neles e sem eles as suas pratas são fraturas intemporais do anoitecer no escuro de alguma grande aspiração.

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