É da vertiginosa imobilidade a quebra do ruído que escapa da absurda condensação dos precedentes. Na trivialidade comum do ânimo conhecido, as mãos entre sombras adquirem o bater irregular, que cursa prolongadamente o esvoaçar de algum hóspede. Nessa noite, invoca-se o pesado sono e se tenta libertar das tramas que inexistem sobre as paredes luzentes. Faltará ainda muito para que as patas aracnídeas da suspeita sejam concebidas: as tintas e as palavras só entram pela porta de uma plumagem de gênio, equilibrando uma espécie intermediária para escutar a poeira que está no colo dessas sombras.
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É do palácio do Minotauro a quebra da infância que escapa do século passado. No vermelho da música, os murmúrios entre paixões adquirem a tradição, que cursa prolongadamente o grito de algum espelho. Nesse pátio, invoca-se a varanda e se tenta libertar dos grandes vazios que inexistem sobre o eco das vozes. Faltará ainda muito para que magias sejam concebidas: o fogo e a prata só entram pela porta de vidro, equilibrando um tumulto cego para escutar o escuro da noite que está no brilho do dia.
Ao recompor o palácio das palavras, como em qualquer infância, dou-me conta de que os séculos passados são vermelhos. Nenhuma música poderia supor este murmúrio. Poderia produzir as paixões, forjadas pela traição dos gritos. Mas os espelhos são pátios e não varandas, que agora chamo de grandes vazios. Não sou e sou o eco das vozes e, por isso, fazer magia, mesmo que seja com fogo, soa como prata e vidro. Mas devo dizer que há por aqui um tumulto cego. Por isso, o escuro da minha noite – e do brilho do dia – se parece com a fúria, e esse clamor é um ato infante contra as mãos.
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Ao recompor as sombras de outono, como em qualquer reino das texturas, dou-me conta de que a luz é a do movimento dos ventos. Nenhum laço do provável poderia supor todas as ilações rápidas. Poderia produzir os gestos propícios, forjados pelas vinganças. Mas elas são os grandes ouvidos que agora chamo de imitações do indizível. Sou prosaico e, por isso, fazer a vida, mesmo que seja extraordinária, soa como as sombras de outono. Mas devo dizer que há o reino das palavras. Por isso, minha luz, e a de todos os movimentos das mãos, parece laços do provável, e os gestos propícios são imitações do indizível contra as coisas amorfas.
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