Era uma vez o mar.
A praia, morte-cor
Cercado, o canto
Vaga estranha.
Andas chuvoso, tuas terras.
Afunda,
Mastro de ombros caídos
Ossos!
Liras cá nautas
Hemática estirpe.
A nau
Pó de horas.
Era uma vez o mar.
A praia, morte-cor
Cercado, o canto
Vaga estranha.
Andas chuvoso, tuas terras.
Afunda,
Mastro de ombros caídos
Ossos!
Liras cá nautas
Hemática estirpe.
A nau
Pó de horas.
Flores de Lídia. Rastros longos, atrapalhados. As mãos unidas. Mortal e ilusória força. Olha-te! A angra cristalina. Opiofágico andar.
Vazios pátios. A abertura de olhos. Veemências vermelhas. Sussurro dos búzios. Minoica dança. Tu és o braço que se desloca. Perfume de partidas. As popas e as pétalas. A gruta, ferimentos, ingenuidades abertas. Caeiro depressa sentado. Erras o destino. Arfados ritos. O sal nas conchas.
Vil, cativa mofando. Há ondas que procuras. Cheio de febres. Coincidentemente, os cabelos de Penélope. És viúvo! Navega cordas.
Balançar na erguida vaga. As âncoras. O lábio triunfal do rosto necromante. A ave vela o arbusto. Irá atrás dos fios. Ondula a rocha. Rijo o mar. Queimam as florestas. Sonoriza o rio. Tu bebes um punhado de ervas no caminho.
Coração, ouvido infindável. O mundo recai mundos. Bocas de abismos. Olhos ao longe tombaram. Naus flutuantes, debaixo da janela. Desdém e distância. O vento em vela. Em cada noite ergue-se um alto eco de tumultos das sombras. Chamas do quarto.
Perdido, ligeiro, Orpheu se desprega do mar. As celestes terras próximas! O mundo amanhecido. És tu, Orpheu, o mesmo Orpheu, o mesmíssimo Orpheu? Quem procurara por teu rosto? O dia salta de Orpheu em Orpheu. O liso branco. As águas ao mar. A pintura sem pintor. Mexe-se a ausência. Ofensa nenhuma e insulto crível. A cruz da tortura. O brilho da prata. A luz no vidro. Na passagem atropelada, o encosto da gaivota na imagem infante. Emerge-te ante o lugar que não estás!
Empilhados nas fornalhas, os homens das inclinações. Espalhados os exageros. Estás pousado, marítimas viagens, a errância por descobrir, a ambiguidade por decolar, as imanências figurativas. Aquelas pedras roladas, muito longe. As nuvens clamam pousos. Tu não podes sozinho. Pesadas pedras. Velho bardo, vem de lá. Dissiparam-se as poeiras. Embaraçam-se os cantos. O capitão da branca nau amarga as conchas. Os olhos. O teto. A nudez. O quarto. Morres nas extensões. Noutras distâncias-mundos, as substituições. Dedos na linguagem. Relatado sermão. O Quinto Império. A ambiguidade da vontade. Tempos fornecidos. Flutue no caminho. Seria melhor considerá-las linhas. A olhar e olhar acenos abandonados.
Ele quer concluir. Das encenações, os trajetos repetidos. O erro da viagem e a malícia de papéis. Toca-te com força e encanto. O traço modesto eriçou um semicírculo. Na volta dos membros. Nesse caminho. Tumultos de boas danças. O canto que nos cabe.
O aquático cabo da ilha. Os balanços dos coqueirais longos. As lagunas. O azul. A safira. Animais rápidos. A nudez. As danças. As falas e os fundos. As setas. O ferro. A lança. Os ouros. A flor. Bem fina. As diversidades. O metal. As pérolas. O deserto e o temor da fonte. O rosto da campina. A neblina. A ordem. O cumprimento. As contas. Os erros. As visões descobertas. O barro do homem. A esquiva. As cores. A tutela e o regresso. Os mapas. Os conluios. As conversas. O inavegável. Criado barco que chega com todas as peles. Afilados mastros. No umbral da primavera, os sussurros desnudos de todos. Dias mortos, aqui gastos. As proximidades recomeçadas. O vazio branco da página. O poente secamente. Semente das vizinhanças ocas. Os rasgos do pássaro cheio de leitura.
Quem te cerca de valquírias e mortos? Quem derrama as deidades? Invoca-te quando chegas nesta batalha, neste salão, neste devaneio, e sustenta as tuas escolhas. Nas portas deste salão, chamam por ti, como se as filhas da realeza houvessem oferecido belezas por descobrir. Chamam por ti, reunindo as tuas ordens, as tuas vasilhas, as tuas louças de barro, porque há estilhaços de gralhas, cisnes e brutos.
À maneira das águas. O corpo se entreabre. As praias desdobram-se em vestígios. Em meio a balanços de anões, o sombrear dos rastros. A criatura conjura o pássaro. O tamanho sem limites. Fechado o cofre. Soluços. A saudade encostada, navio no cais. Tateias. Nada mais com tua bússola. Ardeu-te o indecifrável dos palmares. Brilhos frescos. Vela a descida da âncora. Nas vindas deveras escuras. Barquinhos singrando em fila. As alturas de um pássaro. O pretérito entardece a vela alva.
Corte liso de nome, bem junto ao mar. Os cantos, ali adiante, vertem o ar em medusas. A luz solar impura. Ele parte em passos; refugia-se ali. A mão flutua agora. Uma criatura sai dos espantos. Camões no ramo debulhado. A inteligência não ardeu vinha nenhuma. Transparecem raças. A liberdade tombou. Os rostos no oceano alaranjado. Os céus todos pelo caminho. Horizontes largos. Aracnídeas teias a cobrir arvoredos. Caminho cheio de homens, naufragados nas idades. Longe das direções dos dias. Virado cabo, as vastidões súbitas. O filho pródigo quer falar, imprudentemente. Tilintar-se de vidros, e tudo muito alegre: mesas, talheres, louças. Frutifique-te com as tuas celebrações. Haverá de arrebanhar as felicidades daquela criatura. Galga a agonia.
A fúria com o mundo inteiro. Rugidos vermelhos. O rasgo é garantia. A alacridade dos ventres, após a mão trazida. Tremores para dorsos. O dia da mania. A vítima aninhada, na crina negra, a voz por desejar. Invocação da ave. A clave do irmão sinistro. Parcela de passos. Coberta nas falas e nos ruídos ouvidos. Orquestradas as sensações incompatíveis. Crimes análogos, espalmados e nada disse. As vivas solidões. A passagem do ninguém. Escutas, rumores, mares. Qual escrita é necessário desertar? Na onda maior de roer as vergas. Novamente o dia da partida. O homem do mar deixado nos previstos barcos. Nenhum norte de tempo. Velada a proa que por ali se vela. O Noroeste é antes de algum osso. Grave regata! Peças em topos amurados. Na última amarração, os beliches no mar. Coisas saltadas dos dentes. Na distensão, na corda, nas mãos, a audição vaga. Lestes as pedras? Pântanos profundos. Soube dos fundos? Sem dó.
Debaixo do chicote a fustigar a aventura. Coberto por peles, estraçalhado por pregos. Em frente às flâmulas, os ossos, mastro fustigado, pela latitude dos arremessos, pelo sangue ao redor das águas. De lado a lado. Afirmas todos os nomes. Distinto exílio. Na proa. Na ilha. No caudal longínquo da praia. Deserta é a travessia. Quem pode ter como flor o limão? O ninguém a falar o enevoado odor. Setas pairando no ar. Luares dobrados. E assim caminha para a porta noturna, arfante e choras. Horas em casa pisada. O sal da forma. A chama não possuías. Vibração de canto. A linguagem, o abano, mensagem na asa do leque. Novembro era o começo. A tempestade moída. Os molinetes! As luzes! Desastre. Os portos estranham os ventos.
Bebe um pouco de crueldade, um pouco, e sente o corpo abominável, delicadeza de nervos. Subsiste, lá, ferido, rasgado. Foste lá debaixo do cuspe. Nenhuma lonjura por mudar. Serena ao largo da ilha. O bosque! Aquele ilhado encanto. Finita torre de inegável crime. A vida aí depõe teu caminho. Alguém sangra e se afoga mansamente. Muros brancos sob a patada da noite. Acaricias e empresta os leões. Em vagas luzes.
O suor toma conta das rugas. Despe-te agora, anda. Teus vestidos no espelho; sacode os passos ao levantar poeira. Estás no mar? No interior da metade, a espora e a rédea do cavalo! Nesta cidade, os mortos. Envolvidos no freio da rédea, flagras o deserto que solta os astros lá por cima. Suspirosa ruína cantada. Vento cantante. As flores do limite. Abres antes do último ritmo. Dia dos horizontes quando te banhas. Espólio de sítio fornece as taças e os licores. Acéticos ermitões inclinados. Nem tudo o mastro hasteia. Pintaram de rubras carnes as bandeiras. O navio na brisa inflamada. A faina do costado posta. O ouro das agruras. Ilhadas lagoas. E poucas manhãs tiram da trilha as cabras. No corredor cavernoso daquele caramanchão, os gamos já saltavam. Heras. Cabeças d’água. Sonhas o jardim.
Está correto? Será? No volante acelerado, sacudida está a nitidez. Após o chamamento, realizavam-se as épocas. Músculos profundamente esverdeados. Incorruptíveis e caóticos, os braços tumultuam. Ordenação bailarina dos navios. Teus cavalos sacolejam. Crinas, tuas crinas! Criaste para ti um povo. Tu és a cor que se desprendeu da cor. Antiguidade mais noturna. Estás sem palavras. Qual manto te dispôs? Na parede derruba-se a estátua. Porcelanada, deita-se, assim, aquela nuvem. As esmeraldas se enfastiam no junco. Os cílios se tocam em mudas páginas. Os silêncios ancorados de raro tédio. Os lenços do mastro. Amolas para ti o punhal. Aguçada arma. O sangue escolhe a lâmina. O leme. Há de declinar o dia de estar triste, ainda e ainda.
O Lobo do Mar contempla a distância. É a entrada. Na saída, os excessos, ainda imaginados. Escoam as linhas. Treme. A praia deserta. A voz. Os rubros momentos de suposição. O quebrar das ondas, a fechar antes as espumas. Tranca o canto. Embala longe o tormento. Coléricas, as aparições precipitaram-se. Logo a ânsia alastra-se à noite de fome. Os passos cadentes. Nos jardins, pálidos, intactos apelos. No recôndito fundo do mar, tomado o navio, esconde-te, Igitur. Um silêncio carnoso o cobre e o alastra em ondas.
Com quilha, risca o caminho teu salto – paraíso de náufragos. Degustas teu diamante. Está na hora de saber quem puxa as cordas. Cegos gestos mais violentos. Remunerar a cor em piedoso consolo. Ondulas tu. Ondulas por último. Rumorejas. Tua surdez. Fostes à ilha. Havia esperança. Confrangadas comoções cacimbas. Não ajudas a construí-las? Tu, sereno, carrega. O fingimento que lá dentro cabe. Filas sobre nadas. Nada. As dissolvidas trevas tão próximas.