segunda-feira, 8 de agosto de 2022

57.

Essas mãos, sob a voz do mar, chamam baixo como se chama em estrada alva. Pensam em ler assim como um livro em fuga. Sentem-se tristes à liberta ebriedade entregue da espuma que olha e olha suspensa. Na imensidade do céu o seu impedimento submerso. E logo o mar anoitece e luz-se junto ao papel deserto, no vazio, uns anseios de juventude. A branca iluminação feminina que nos seios parte evapora no balanço o seu filho em vaga. Onde se ergueria a âncora desses estranhos tédios, âncora de desolação cruel e de adeuses silenciosos? Certamente se esqueceu de romper uma onda aos mastros ventosos. Sobre os lenços, naufragar a fertilidade e a canção, muito antes de se imaginar as traçadas ilhas.

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