sábado, 20 de agosto de 2022

69.

Somos todos sombras nas paisagens que lampejam os seus ruídos como se fossem o bater regular de um porto infinito. Tudo se encontra na cor das flores para que eu possa pousar as minhas opacidades nas velas dos grandes navios. Sim, as duas brechas se compreenderão no largar do cais, sem as divisões correspondentes. O infinito das aparições, os olhos, o clarão ao redor das árvores antigas. E agora? A superfície polida inferior anuncia a poeira. Toque e os vultos se romperão na evasão da luz. Que ares trouxe o porto sombrio? Poder da sombra, harpa do ruído, vulto do cais antes da progressão, impotência de dizer todas as coisas. E nada nunca se esvai das mãos sobre os joelhos. A pena, a tinta, o papel aliciam calculando todos os navios: nos gestos das mãos de pedra não há e há união com a terra. Tudo no rosto antigo. E ele no rastro das mãos, aqui, descansa, enfim, no gesto da forma. Mas a curva do dorso não há e há, pois o espraiar das mãos espumantes ilude o papel branco: engano das palavras, das tintas e da pena.

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