sexta-feira, 26 de agosto de 2022

75.

A liberdade jogada, e o perigo, e o fundo transparente, e, então, o mar, sem almas, o dom daqueles corais e búzios, sonho sufocado. O último saber de dentro das coisas, nelas e além delas, ou seja: elas mesmas, sempre. O sonho escorre e se implanta na condução dos silêncios. O canto. A surdez. De fato, o dia. Há também a súbita emersão das grandezas. Um desastre e outro na lisura do pátio. Por fora, o melhor é ficar no gerado da liberdade: jogo à margem do perigo – na transparência do mar que nos cerca, na ponta do tempo-alma, sufocadamente. Desde sempre, elas, as mãos de ninguém, sugerem o pervertido transcendentalismo do sonho, do saber das coisas. Algo dos silêncios seus, assim, fica na surdez do canto. Soa prová-lo em cada dia que o desastre da arte respira a obra de arte, que já é uma outra grandeza e a mesma grandeza, libertadamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário