domingo, 21 de agosto de 2022

70.

Aliás, não é nada difícil ver o dragão da infância que acontece sobre a folha de papel. Cada um dos interiores da cereja rompe com a insônia dos anos e das paisagens. O sonho das águas se revela pelo sangue, como dedos magoados que se avizinham às ruas e se põem numa leitura e escrita que não alteram o segredo dos pinhais, montados nas palavras como corpos. Mas o cais deserto é, pela metade, o caminho e o abandono – cumprimento da obra por construir: sozinhas, as mãos viverão no fundo do mar.

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