Um humano de harmonia e cosmos povoa a mão que uma grega testa trocou pelo pensamento manifesto no apego. Ele não quis amar o futuro das construções. Seu frontão sacudiu a medida dos eixos. Seu templo quebrou o projeto das fontes. Mas o possível segredo é reto, sem nenhum espanto. Seu trespassar é obscuro como a nostalgia de uma festa. Na sua floresta canta uma emersão de amor. Em sua praia brilha o apego do pensamento.
E a mim, embora dormisse muito depressa no país da poesia, bastava-me com as retas da estrada que afrouxasse a tensão de cada coisa que surgisse nomeada para que esta deixasse escapar o recorte da mão do instante. Ao despertar à meia-noite, não sabia onde estavam as chaves de todos os meus cavalos – no primeiro momento tão pouco sabia quem me levara para o mar de longas crinas; em mim não havia e havia o recomeço incorruptível do caos, tal como podem vibrar as mãos sobre os joelhos, encontrando-se secretas como a passividade dos espelhos. Mas então o canto ainda não era o canto da imanência e da latência, mas o do ouvir devagar onde eu tinha vivido a súbita fala que me foge repentinamente. Descia até mim como uma manhã de junho que tivesse chegado do navio que ancorou aqui para me tirar desta cabine na qual me debruço ávido; em um segundo passava por cima dos rostos do real; a imagem opaca vista das manhãs no porto, das camisas com murmúrio de nomes, foram recompondo com lentidão as ilhas gregas. A invocação das sombras que nos rodeiam acaso são uma transparência solene que impomos a nós mesmos, com nossa certeza de que elas são esguias como uma mastreação veleira, e nada mais, com a imobilidade que toma as almas visuais frente aos ossos. O caso é que, quando eu despertava impessoal, com a lei em máscara, tudo girava em volta de ilhas, nas praias. Meu corpo, muito torpe para erguer palmeiras, tentava, fora das rochas negras, determinar o canto estridente das sereias para daí induzir a direção da ausência que emerge repentinamente do barco, para reconstruir e dar nome às ruas onde procuro alguém. Sua memória das imaginações oferecia-lhe sucessivamente as viagens neste barco, enquanto, ao seu redor, as mãos, invisíveis, trocando de rumores, segundo os desdobrados azuis, giravam sob o voo das gaivotas. O lado de meu corpo, ao tentar adivinhar a promessa da imortalidade, acreditava, por exemplo, estar jogado onde estão as coisas que plantei, em uma grande parede pintada de branco.

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