domingo, 31 de julho de 2022

49.

Se o azul tivesse caído, o rosto do primeiro se realizaria. O rastro dos dedos elaboraria as pérolas e os esquecimentos. O próprio granizo da melancolia anunciaria um aceno qualquer. Mas o branco é um lenço vazio nessa despedida. Estou debruçado no azul, sem nenhum rosto. Nas beiradas disso, só rastros. Indecoroso é o aceno que damos assim em benefício da despedida.

No azul comum dos rostos pessoais, o rastro entre dedos adquire a pérola da vida, que cursa tudo isso de alguma maneira. Nesse esquecimento particular, invoca-se acenos e se tenta libertar dos brancos. Faltará muito para que a despedida seja concebida. As palavras só entram pela porta da melancolia, equilibrando os lenços das linguagens para escutar o azul que está no rosto dessas impossibilidades. Apoio minha fronte na vidraça gelada: esta pérola não a encontrei eu num rosto, mas no comum rastro azul e preto. Comprei-a em despedida num aceno junto ao esquecimento, rente aos brancos balançantes dos lenços.

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