quinta-feira, 28 de julho de 2022

46.

Denominação da náusea, vejo-te independente no espírito. No centro da alma, o volante é a joia do giro que ata as lentidões. Uma manhã brilha e palpita na barra. Os olhos comprimem-se contra o mistério que me separa das chegadas e das partidas, e a memória que reina entre o cais que me percorre. O horizonte fica mais colado quando chove – esse cais deixa-me sentir o navio. A navegação se faz assim em toda a vida do mundo – viajo aquilo que posso fantasiar. O naufrágio escorrega das mãos. O navio da recordação de pedra do cais – sem o espaço que lhe dê uma angústia e sem a névoa que proteste contra seu sentimento. A tristeza atraente naquele sol – a janela da madrugada ainda muda e a saudade ainda sigilosa.

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