terça-feira, 19 de julho de 2022

37.

Pensei muito em futuros abertos, seres de abismos, olhos, mãos. A cambaleante alma da visão escondida. Agora somente o gracejo lúgubre poderia expressar-me, mas não as risadas loucas da alma que me sacolejam. Na tristeza horrenda de nossas almas, a saudade não se evoca em recordações, não se evoca em juventude. Sentimos nossas saudades e desmaiamos nossas sensações no contínuo pensamento de uma aridez – sem recordar os cansaços. E assim desconsolava a mudez e um sentimento de saudade me deixava para trás. Tempos evocados giravam – todos os que fui e objetivei e ainda uma subjetividade lembrada da infância. Não parava de correr riscos. Desconsolava a mudez e um sentimento de saudade. Sonhava a distância e o tempo medido. Desfaziam-se em sensações e os espantos sentiam. Passei com uma percepção horrenda na tristeza, pavores bem confrangidos de evocação misteriosa, mãos de tempo que se fechavam nas dores maiores. Figurei o fantasma com sombras, dialogando com a mente e com os lugares visíveis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário