sábado, 30 de julho de 2022

48.

Referem-se às ânforas a roda tardia do espaço. Os outonos se fazem de tardes generosas que solicitam um tempo de areia nos pinheiros autônomos. Os séculos e as estátuas, os anos e as divindades. No fim, o ar cometerá a coluna, retroagindo nos espaços que o silêncio abona quando está capturado pela tarde de uma ânfora que um pinheiro ainda sonha entre o homem e o espírito do homem.

O espaço da roda da ânfora é o silêncio da tarde. Isso ratifica o tempo do outono ao pinheiro. Sonhar, portanto, implica deixar de sonhar um século que tem o gosto de sonhar que todos os anos são infelizes porque ainda deve haver divindade. Há de sonhar a areia dos ares como novas colunas para as nossas mãos de eternas escritas tristes.

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