As manhãs consumidas são corrompidas pelo sol que as pronunciam. Zombo e troço desta imóvel folha, deste princípio de branco e de mundo pelo desenho, de lua nova, que vai descendo um nome com linha, ladeado pelas flores, e onde um desabrochar de verão se rebola na mesa ao meio-dia iluminado – e os mundos de papel comprado onde se guarda a noite estão mortos à mesa do poeta. Estive com monstros, com o meu tinteiro durante a germinação, e vi fantasmas de bichos e círculos de palavras serem transportados aos solavancos pelo papel, o mesmo se passando com uma sujeira de carvão dentro da ideia do lápis. Agora, vou-me inclinar para a fixa emoção como se fosse coçar extintos sonhos. É a luta em branco que tenho de travar para ver o poeta. E lá está ele, sentado no meio dos sangues. Respira com as veias através da água salgada. A física do susto, estranhamente com algum gesto, fixa-se com um pouso imóvel nas coisas do diário. Dará a natureza viva das palavras recolhidas. É uma das máquinas úteis do poeta escritas na evaporação de palavras. Nada se vê. Nada se ouve. Mas olhem: alguém acaba de levar a densidade ao ar.
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