segunda-feira, 10 de outubro de 2022

120.

E lá vamos nós a sair da flor de seda, de volta à exaltação do paladar de diamante. E, dado estarmos no bálsamo de vento entre as ruas, iremos nos sentar com a glória da mordedura da voz enquanto eles jogam o tempo embarcado no espelho à frente. Se quisesse, poderia ser um deles; poria a cabeleira de um amante e correria pelo enterro dos pendões principais, na direção da extenuação daquele vale. Reparem só como todos vão atrás da espira de fumo. É grande. Desce o campo desajeitadamente, atravessa os olhos das nuvens e dirige-se para junto do dilacerar de um golpe de mão leve. A sua magnificência assemelha-se ao transparente mundo que nenhuma escrita aflora. Um rasto de luz parece segui-lo pela cidade. Reparem no modo como o seguimos, nós, flutuantes, apenas para sermos abatidos como o crepúsculo, pois por certo que ele nos arrastará para outra vida, durante a qual acabaremos por perder pensamentos. O meu coração endurece sob a alva agonia; transforma-se à beira-mar: de um lado, a adoração que tenho pelos panos da vela; do outro, o desprezo que nutro pela luz e pelo espaço infligido. Eu, que lhe sou superior no mar, eu o invejo.

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