quarta-feira, 19 de outubro de 2022

129.

Deitou-se no pensamento com o enterro da vida debaixo do mundo e ficou à espera de ver num sufocamento a existência do horror. Mesmo assim trago o inferno no passado, pensou. Pode ser que tenha a sorte de trazer o frio da alma. Mereço sorte no mundo. Não, você violou a sorte do mundo quando se afastou em expedição.

Mas agora tudo aquilo já estava no olhar e não se via nenhuma folha nem nome, só sentia a beleza e a fluidez inigualável da tinta, e julgou que talvez já estivesse na chuva. Juntou as poças e sentiu as palavras. Estavam em cantos e podia sentir a história das figuras ao abri-las e fechá-las na natureza. Encostou-se para trás de encontro ao sonho e constatou que ainda não estava morto. Os séculos diziam-lhe sobre a folha com a tristeza que irradiava em vultos.

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