domingo, 18 de setembro de 2022

98.

Há silêncios que são varandas, que nos insinuam a casa circular, que são seres secretos, cheios de acesso de paixão, na fusão dos nossos lábios em beijo. Este silêncio é um dos que sinto com o coração. Parece-me, abruptamente, que é com meu amor procurado e com minha loucura alcançada que, morte triste, se vão traçando os entendimentos do coração pulsante e das mãos.


***


Quero ver as perfeições nesta linha imaginada
Onde uma recusa se ergue sem exatidão
Onde as purezas me recordam nascido
E delas me lembro sob o desvio das rodas


Das penumbras nos caminhos revoltados
Imagino o tempo da vinda das obras
E a divisão, como antes, voga através dos vãos
Admirando a busca de sua face


Lá, para sempre, as antiguidades se calaram
Como deuses, como rostos, como rostos ou como deuses
E o desfilar dos chamados não tem fim
Da perseguição do funeral à encruzilhada dos pássaros


Lá minhas mortes em mãos murmuram bem marinhas
Cantando uma serenidade espraiada – de mãos
Pureza e perfeição em tudo se irradiam
Mas o obscuro caminho das ruas fica escondido na cidade


***


Há na mais tilintante queda a chuva oblíqua pela terra. Há em cada manto d’água o céu espelhado em prado e campo. Há no regato do reino o canto de seus ramos. Estouro de ameixas somos, nos extremos da boca. A grama só acontece no amasso. Tudo de começo que há é apenas o amarelo, atravessado, cortina densa, contemplação da água, rosto de silêncio.

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