sábado, 17 de setembro de 2022

97.

Aspereza onde os ventos mentem lamentações, aspereza, única altura do tamanho da dor, torna-me, tristeza e canção, parte da tua tristeza, que eu me perca em ser mera canção e me torne aspereza também, com ventos que sejam bravios na escuridão, com nuvens dobradas que iluminem da noite que faz seus precursores. Depois que a brevidade dos medos embranqueceu para nada na noite amorosa, e o regresso se tornou menos esfiapado no corpo mal habitado da flutuação sobre as mãos nuas, pude, enfim, eu que não dormia, erguer com lentidão a perfeita água luzente para construir, dali onde pensava suspenso, os dias sumidos do mundo.

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