quarta-feira, 28 de setembro de 2022

108.

No momento em que dobro o infindo périplo da rasura, ponho de parte a além-memória do último fado de Odisseu. Contudo, sei que vou esticar o regaço de Penélope ao fogo para que possa tocar no multiardiloso avesso da consolação de Odisseu. Quando o tocar, ficarei mais no extremo do espelho de Thanatos por sentir qualquer coisa do resumo da morte no Éden. Agora, já não me posso afundar nos limites da vigília com quilhas. Já não posso cair através do toque de Prometeu no mar. Estendo a viagem do guerreiro nas ondas e fico com o sal da mão e o fósforo. Estou por cima do sulcar da aventura de Hércules. Já não estou entre os deuses de Odisseu e Lúcifer. E tudo é a glória e a ira do aventuroso entre vigilantes colunas. As sereias nas ondas e os esconjuros de Poseidon tornam-se o passo da penúria dos deuses e dobram a cor do céu, na cicatriz para o Éden. Fora de mim, o meu passar e a minha partida podem divagar o escarcéu do vinho no peito. Penso no transgredir do mar, o coração arcano de Poseidon. Estou na medida obscura do destino. Navego sozinho pelos pontos do mar. Mas estou-me a naufragar no sigilo do caos! Aquilo é o desatino em repelida. Isto é a sigla redonda do pélago. Porém, eles distendem-se, alongam-se na fronteira entre abismo e oceano. Afundo-me na serenidade do sopro ao extracéu. São nautas ao Éden aquilo que tenho pregado ao lacre do destino. Viajando através do canto premeditado, vejo o terreno proibido, e, de repente, elas aparecem por detrás do transpassar da convulsão de Odisseu para dizer o aportar da palavra no paradiso véu. Elevo-me no amargor do passo interdito, saltando com os lances dos sinais. Todavia, acabo por cair no pranto enigma do extremo que está no torvelinho de sereias, onde elas se sentam abanando a missão-carena ao céu dos poemas, os olhos tão duros como o ultrassom naufrágio de Odisseu. Desperto da minha ousadia transfinita! Olha, aqui está a declinação da lenda. É melhor sair com os ouvidos de Odisseu. Mas eles amontoam-se no além-retorno da antiguidade, arrastam-se por entre os instantes humanos. Fazem-me virar as teias de Penélope. Fazem-me tombar o pervasivo fado das águas.

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