terça-feira, 20 de setembro de 2022

100.

Puras sombras no alto-mar dedicando seus sais. A espuma, arremesso do vento, sustém, paladar, tais viagens fustigadas, queimadas pela água que não recolhe, ao fim, o chicote na carne. Sobre aventuras, no repasse frio, nenhum oceano. Óssea existência de vento cortante que a espuma foi haurir outros sóis no ciclone com esse único Atlântico de que o nervo se honora. Mas, junto às enxárcias, à lira vaga, uma mão agoniza talvez segundo o vento – navegação de crucifixos, gozos de espáduas à cruz. Ela, viagem da sensação numa espinha, que na passagem vasta do rasgo fixa de outras mortes o ferimento sem demora.

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