segunda-feira, 12 de setembro de 2022

92.

mestre,
volta à partida, a teus nomes,
mestre, volta às ondas, ao naufrágio plástico,
ao teu cálculo, à tua antiguidade,
à tua manobra maníaca na idade
novamente
ao leme empunhado
do olvidar e do horizonte.

mostra-nos teus pés,
tuas unanimidades, tuas agitações.
não escondas mais teu punho
de destino mesclado
posto nos estreitos dos ventos.

mestre, outro,
descobridor de espíritos,
inventor de tempestades,
descobre a dividida passagem,
os segredos repregados,
descobre a cabeça na invasão.

a escoada
barba
da submissão
sobre o homem
desdobre-a, mestre,
descobridor de naus.

tu, ancestral mão da abertura,
como podes crispar o além
às inúteis testas
e ao legado com desaparições de alguém?

ambiguidade ulterior, busca
no demônio
as regiões imemoriais,
a velha indução
do mestre.

rompe, rompe
as conjunções supremas
que cobrem tua probabilidade de sombra
e então
a nós, os afagos de teus afagos,
aqueles para os quais revelaste
a polidez até então suavizada
da vaga subtraída,
mostra-nos que podes
navegar de novo
os duros ossos perdidos
e descobrir a prancha que nasceu
nos embates anciões da água.

navega, mestre, a água
chegando, levantando
tua chance ociosa
e entre as núpcias e os véus volta
a ser ilusão em ânsias.

neste instante conjuga teu fantasma
volta a ser gesto
aprenderás novamente a ser vacilante.

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