quarta-feira, 14 de setembro de 2022

94.

Os movimentos dos olhos de papel não tornaram a descer ainda sobre a tinta que nada mais percebeu a não ser o iridescente presságio prestes a se interromper de um destino corpóreo que começa a possuir a cintilação dos dedos. Mas cedo ela percebeu que era na terra, na qual o húmus de sua indiferença se afundava como sonolência – e ela voltava à língua. O eco, de imediato, escandiu-se soterrado. Mas, à medida que tornava a cabeça à luz, e mais esquecido, seu interior crescia numa alucinação de ânfora, que preenchia a descida lenta; e, tomada de dúvida rubra, a fera se sentia nervosa por sulina boca, como pelo procurar do lugar povoado das viagens que, embora fechados, abertos ainda na demora, girariam maritimamente sobre todos os degraus em verso para chegar à manhã, em inundado corpo. Enfim uma quebra que parecia o escapar da serena desilusão das mortes se exalou, mas dotada de uma esferográfica desconhecida, e o coração nada mais ouviu além do movimento em cima do papel que parecia permanentemente fugir como a tinta prolongada de alguma mão de ninguém desperta de seu ecoado sono.

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