domingo, 31 de julho de 2022

49.

Se o azul tivesse caído, o rosto do primeiro se realizaria. O rastro dos dedos elaboraria as pérolas e os esquecimentos. O próprio granizo da melancolia anunciaria um aceno qualquer. Mas o branco é um lenço vazio nessa despedida. Estou debruçado no azul, sem nenhum rosto. Nas beiradas disso, só rastros. Indecoroso é o aceno que damos assim em benefício da despedida.

No azul comum dos rostos pessoais, o rastro entre dedos adquire a pérola da vida, que cursa tudo isso de alguma maneira. Nesse esquecimento particular, invoca-se acenos e se tenta libertar dos brancos. Faltará muito para que a despedida seja concebida. As palavras só entram pela porta da melancolia, equilibrando os lenços das linguagens para escutar o azul que está no rosto dessas impossibilidades. Apoio minha fronte na vidraça gelada: esta pérola não a encontrei eu num rosto, mas no comum rastro azul e preto. Comprei-a em despedida num aceno junto ao esquecimento, rente aos brancos balançantes dos lenços.

sábado, 30 de julho de 2022

48.

Referem-se às ânforas a roda tardia do espaço. Os outonos se fazem de tardes generosas que solicitam um tempo de areia nos pinheiros autônomos. Os séculos e as estátuas, os anos e as divindades. No fim, o ar cometerá a coluna, retroagindo nos espaços que o silêncio abona quando está capturado pela tarde de uma ânfora que um pinheiro ainda sonha entre o homem e o espírito do homem.

O espaço da roda da ânfora é o silêncio da tarde. Isso ratifica o tempo do outono ao pinheiro. Sonhar, portanto, implica deixar de sonhar um século que tem o gosto de sonhar que todos os anos são infelizes porque ainda deve haver divindade. Há de sonhar a areia dos ares como novas colunas para as nossas mãos de eternas escritas tristes.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

47.

Os cais acendem a sua madrugada em todas as pedras. Aqui, os espaços são baços. Mesmo sob a névoa da angústia, seu liso sentimento cintila e fita, como a tristeza do sol. As janelas nos refletem. As saudades nos decoram. No horizonte despi minha madrugada de pedra e sacudi de meus espaços o navio da angústia. Na boca do horizonte a imagem do espelho é visível – é um silêncio uma linha um espaço ao redor das angústias e das pedras, como um vento mais intenso e deslumbrado.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

46.

Denominação da náusea, vejo-te independente no espírito. No centro da alma, o volante é a joia do giro que ata as lentidões. Uma manhã brilha e palpita na barra. Os olhos comprimem-se contra o mistério que me separa das chegadas e das partidas, e a memória que reina entre o cais que me percorre. O horizonte fica mais colado quando chove – esse cais deixa-me sentir o navio. A navegação se faz assim em toda a vida do mundo – viajo aquilo que posso fantasiar. O naufrágio escorrega das mãos. O navio da recordação de pedra do cais – sem o espaço que lhe dê uma angústia e sem a névoa que proteste contra seu sentimento. A tristeza atraente naquele sol – a janela da madrugada ainda muda e a saudade ainda sigilosa.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

45.

Em vão, o cais absolutamente deserto me obceca como uma manhã, maravilhosamente sozinha, e me impõe todo o verão. Há certamente olhares na barra que não são de indefinições nem de distâncias. Toda esta orla marítima, tão velada, avançada, delimitada pelo fumo e pela manhã, não passa, para o rio, de uma vida vã, cheia até o porto, de barcos pequenos. Dou uma alma a mais na vaga brisa. Adianto-me, como o navio, na distância.

terça-feira, 26 de julho de 2022

44.

As mãos estremecidas se protegem dos ruídos que irritam os golpes. Nessa significação, dormem as vidas: penso convergente nessa transfusão, nesse desassossego pousado nos cálices. Que importa toda a angústia? Que me importa todo o prazer? Mas que me importa também toda saciedade que chega às asas das chávenas, todos os jogos que nascem e morrem na insubsistência? Os corações ignoram os lugares; eles conduzem os portos: eles os tratam assim. Sou eu a janela e a vigia de uma paisagem? A entrada se ilumina. Dou a cor verde às manhãs. Entro na passagem, no coral. Minha realidade se percebe como o toque e a terra de toda esta viagem que quer convencê-la de que as paisagens a rodeiam.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

43.

Os mudos aromas outonais, nos seus lares, averiguam os abismos, olhando as memórias e ditando um estranho abandono nas vidas. Na metade de mim, o cavalo tocou suas forças. Foi então que me lembrei dos enganos e das terras e dos pães amargos das sementeiras. Estava a devastação solenemente posta nos passos e o avesso continuou seu regresso. A vida pouca e demais me fixa e me impõe o escrúpulo espiritual. Algumas inteligências, consanguinidades, são focos dos contatos e dos mistérios das coisas.

domingo, 24 de julho de 2022

42.

Há uma reflexão que te enche o coração em medida, tua substância em duração em sonho de infinito de teus tempos, teu segredo amargo em inconcebíveis segredos. Há um pensamento que entorna um rosto para teu sonho. Tua cara quer regressar quando olhas. Aqueles que sorriem e realizam não correspondem. Estou só. Ouço a voz dos olhos na existência cheia de mútuas necessidades. Impede deuses que veem diante das verdades e são eternos o que descobri, na vida.

sábado, 23 de julho de 2022

41.

Pairando com as asas altas e grotescas, as mãos morrerão, voltando ao forte gosto do mar, inclinando-se nas águas turvas da única tentação espelhada. A explosão da minha cabeça cruza relâmpagos que se combatem. O sal da terra oscila, pintando e apagando os impossíveis. O pássaro sem ar voa com seus justos dispêndios de moedas estranhas. Vento em folhas no silvo das águas que ouço. Reflexão! Curvatura do dorso e dobradura dos dedos. O olhar. O esquecimento. A pequenez da infinidade banhando o ar indispensável. Assim, as mãos, transmutando as sombras arrojadas, avançam como vingadoras opiofágicas, deixando-se com as sombras pensadas no papel, deixando-se com as medidas luzentes nos ombros do mundo.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

40.

Traz o coração. Fecha um porto de vigia, chegando com as cheias paisagens da janela. Está assim por todo tombadilho. Simplesmente assim, nada sonha. É como é, vindo por lugares de cofres. As suas entradas querem manhãs nas passagens do coral. Não sabe se soa. Sem hora, acorda na noite verde e cálida. Olho pra vida mais espiritual do meu escrúpulo, concluindo, inteligente, o ponto que nunca pressupus chocar. Reflexão amarga de inconcebível medida mística, enche a substância do coração acabada nos sonhos, entornando sobre os infinitos que se passam a esgotar como se regressassem de fato.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

39.

Sinfonia incompatível à sensação do sangue que se anuvia na balbúrdia e tem uma orquestração que faz os crimes e, no espasmo das orgias, vê um mar análogo por estrépitos vendavais. Ao subir no furibundo calor que sonha o espírito das nuvens, antes de haver as poeiras, a lucidez assaltou uma veia de pirata e pirataria. Fugi com os barcos. Tive a marítima impressão que presas vermelhas sofriam, querendo-me no terror ali adiante. Suas loucuras compus nos crimes. E o barco com as minhas gentes é a brisa das nuvens do céu que elas comicham ao longo da irreal alma. E não assalto os elementos que são como um crime. Não vivo mais. Nada, esta espuma. Não rasgo mais. Tropa ao inverso. Jazo na chacina do barco, entre quem abro e quem me abre. Daqui da chacina, estripo o lugar conciso, sangue componente, tragédia dentro do local. O sangue do pirata corre na minha carne sonhada. Sanguínea alma que faz e perde e então acompanha tudo.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

38.

Canta, por lá, a sombra da alma e a da ilusão como fuga do descanso. Nesse galope, a estrela além vem com tristeza e ilusão, vagando pelo mundo com a profundeza do sorriso, sorrindo no coração aberto de melodias exaustas, cujo dia raia a voz que foi entornada. Assim, decido dormir inconsolável. Vida. A grande escuridão de instáveis choros sentidos, mãos caladas e noturnas. A fronte iludida que dorme e conta as solidões melodiosas cantando o céu amado dos seres. A tormenta que se pensou atrás do ninguém que sofria na vida da escuridão que dormia na fronte calma que o choro só iludia.

terça-feira, 19 de julho de 2022

37.

Pensei muito em futuros abertos, seres de abismos, olhos, mãos. A cambaleante alma da visão escondida. Agora somente o gracejo lúgubre poderia expressar-me, mas não as risadas loucas da alma que me sacolejam. Na tristeza horrenda de nossas almas, a saudade não se evoca em recordações, não se evoca em juventude. Sentimos nossas saudades e desmaiamos nossas sensações no contínuo pensamento de uma aridez – sem recordar os cansaços. E assim desconsolava a mudez e um sentimento de saudade me deixava para trás. Tempos evocados giravam – todos os que fui e objetivei e ainda uma subjetividade lembrada da infância. Não parava de correr riscos. Desconsolava a mudez e um sentimento de saudade. Sonhava a distância e o tempo medido. Desfaziam-se em sensações e os espantos sentiam. Passei com uma percepção horrenda na tristeza, pavores bem confrangidos de evocação misteriosa, mãos de tempo que se fechavam nas dores maiores. Figurei o fantasma com sombras, dialogando com a mente e com os lugares visíveis.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

36.

Posso criar minha inconsciência profunda: estou louco de me sentir sombrio. A alma se tira pelas poesias. Dá a ciência. O mundo e o sonho na maravilha. Mistério que é. A luz que o sol fazia. O brilho cantando. Entristecido na voz de ave. As mãos vieram descobrir e evitaram as coisas. As mãos penetram no íntimo dos mistérios horrendos, mas estou louco de me sentir sombrio. Passo um sentimento na vida, cujas intensidades sinto na desolação, e eu me confranjo delas e tenho horror de senti-las e esvaio momentos de humanidades, já febris, em todas as tristezas que hão de existir por aqui.

domingo, 17 de julho de 2022

35.

Corajosa poesia proferida e última, no destino da prosa, atirada, bombástica, na página do livro, por pena de ninguém que se esquece dos meus dedos.

sábado, 16 de julho de 2022

34.

Há de ser o trovão estrondoso nos campos do futuro. Frescor das nuvens que viriam, e vêm, não vindo, mas desejam, e se desejam, em cada campina umedecida, trovoada. O rumor seco do trovão ouvido é calor típico. Cresce. Expande-se. O resto disso já é indiferença de mortíferas causas, crescida nos ruídos que hão de se calar nas multidões e campos, estrondosamente.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

33.

As coisas parecem seguras. Passo o dia a cantar a mudança ressoada. Afio a pedra no escuro. Irrompo o subterrâneo através da minha própria fumaça ajustada. Depois conto, chamo nas águas do vento as sonolências da manhã. E os portões se abrem de par em par. Despeço-me depois de tantos amores. A força dos sepulcros me converte em dores infantes. Os ninguéns me dobram. Escrevo de maneira juramentada. Ruídos da multidão multicolorida. As mãos, elas mesmas, sempre nos sons da cidade.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

quarta-feira, 13 de julho de 2022

31.

As mãos fluem na página branca quando luz o dia, vendo os riachos. Assim, as ravinas puras perambulam o som no mistério de cores enroscadas. Cansado, escavo: não há palavra propícia para quem serpenteia e deixa escapulir as vidas da arte. Não há. Na recepção, bebi novamente a gota da juventude. Experimentei na dor a crueldade extrema dos passos. Não havia como levar a palavra. Senti o limite do limite.

terça-feira, 12 de julho de 2022

30.

Trovões de ansiosos irrompimentos gargalham naquela vida, ali. Palmas nas palmas, sacolejando a goela que saracoteia hálitos. Nasci outro no silêncio daquela meia-noite. Olhei sorrateiro, bem sorrateiro um espelho. Acabei vazio. Vazio de coisas e coisas.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

29.

Cansado, delicado, calarei a hora distante para que sua luta troveje. Ouça o estrondo em vozes estreitas e gemidas. Daqui farei brotar o mais circular e mais secreto som que nunca sussurramos no silêncio. Quando pesar à sua volta o peso do abismo, logo após ouvir o relvado bosque da desventura do mundo, cresça e anuncie suas palavras (sim, suas palavras) com os ditados versos da sua aventura. Após, compreenderemos o quanto de alvura ainda há em todos os cadernos.

domingo, 10 de julho de 2022

28.

Audacioso está o vento, velando o pano na gávea posta em ventos. Ficam envelhecidas as guitarras maritimamente perigosas e cantadas que se navegam a cada repetição em palavra ouvida. Mas isso não aconteceu, obviamente. Desembarca o marinheiro sublevado, desertando devagar uma ilha qualquer. Põe o sol tropical na ponta de uma verga. Intensifica o gesto, tatuando imaginações nas veias com outras cores. Explode a obscenidade na tragédia e parte o sangue ígneo e cerebral de um mundo longe dos sons. Estoura. Amarrado em si, estala as canções. Berra. Como canta, apavora e se apavora ferozmente. Irreais vozes morrem no rosto. Estoura, por fim, as partidas quilhas no fundo do navio e fragmenta os marítimos corpos nas amuradas que os dedos decepam.

sábado, 9 de julho de 2022

27.

Eu sou o pensamento, enterrado na vida, como os mundos sufocados existindo junto ao horror do inferno. Eu sou o frio na alma encolhida, enquanto os arrepios e os pavores se querem contra o desaparecimento da consciência. Eu sou o vulto do tomado pavor entre os horrores universais. O sufocar das almas vive minhas consciências. Deixo-me pensando o fitado mistério compreendido do sonho. Eu bem podia abrir a loucura tenebrosa, as trevas de negrumes para o luzidio terror. A sensação vivendo os mundos impossíveis, sua fechadura laçando a compreensão. As almas são gélidas. Sonhos se pensam de pavor. A lembrança roça mantos. Que escuras as coroas e os sinais! Isso só pode ser o temor da vida, emudecendo, emudecendo, emudecendo.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

26.

Símbolos que se olham nas mãos; toalhas e mesas, independências e magias no mundo cansado, seres pensados no sorriso perfeito das conversas e naturezas em branco – horas saídas e criações mais debulhadas, cheias de espantos geográficos. Voltas, inteligências de transparências ardentes e libertas. Ondas e trovões transportadamente cantados. Que multiplicidade: o esplendor dos territórios e das palavras.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

25.

Assim que a obscuridade da sombra desvaneceu, uma mão permaneceu entre percepções e pêndulos aniquilantes e expirou sua ida ao brilho, através da percepção da pancada. Os ruídos despojados que se ouviam. E as totalidades que já cessavam. No equivocado passado movimentado, marcas insistiam, e pêndulos foram alçados nos preenchimentos da verificação, lá na confusão como nos equívocos da queda. A pancada cessou, na porta, nos túmulos, nos retornos, onde o abafar da visita afirmava as incertezas. O vestígio e o prolongamento se esvaziaram como reminiscências. Dedos chocavam sepulcros. As confusões clareavam os surgimentos das mesmas visões. No interrompido pano de quedas ainda movimentadas, vertigens de tintas suspendem espirais posteriores.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

24.

Acordei com essas mãos saídas demais. Quando a hora cair, estarei a debulhar os espantos geográficos. Sobre a mesa volta a todo momento o meu navegante Camões. Ele se deixa nos ramos. Continuo. Floresço. Poucas transparências são a inteligência inteira que imagino arder depois com as ondas. Elas, aliás, deixam trovões tombados que tendem a se transportar libertos. Quase sempre, multiplicam os cantos com esplendor, brotam oceânicos e derramam, semeando os territórios e fazendo enterrar os tempos estreitos dos rostos, cobrindo as mãos.

terça-feira, 5 de julho de 2022

23.

Uma vez disposta na medida chegada, a mão fantasma emprestou seu vazio através da ascensão do encontro. Há procuras onde vibram poderes e, no acolhimento atravessado, ela lança todos os gritos. A escrita transformada, aqui. Uma chegada e uma partida. Sobre cada fala e afogamento e sobre os cruzamentos içados, aconteceu o rugido arremessado das palavras. A criatura percorreu a investigada existência para transpirar os desvendamentos explícitos e incluiu o fantasma nas escondidas moradas. Agora, a luzente respiração começa no irrompido repouso, e o fantasma atravessa os sonhos onde escalam os sobreviventes do poema há muito esquecido.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

22.

Os silêncios do corpo repousaram todas as areias irrompidas com raios e barras, rompendo-os e luzindo-os com os sonos das tardes, nomes, noites, levezas e tudo o que seus despertares apalpados podiam formar. Humanamente, avançaram com as cidades e chuvas, acolhendo-as sob a amizade de sua hora marítima. Até que se azulejou um dizer, do qual alguns palavraram e prometeram a sombra, silabando e ouvindo as horas marítimas de suas circulares pedras. Então tornou a palavra, novamente, estendendo descidas de abraços dos fundos enraizados. E viram, por fim, que assim havia anoitecido os céus. As mãos então esqueceram que todas as horas sentenciam os olhos do poema.

domingo, 3 de julho de 2022

21.

Desse silêncio, só quero ele – apenas ele nos corpos. Há um repouso irrompido (raiando as areias) que toma de assalto barras de luzes e, no lugar de tardar os nomes, desperta noites apalpadas que nada mais são que bastões brancos – tudo levado na muralha do rompimento, formável, humanizado e avançado, sem coração e acolhimento. Do lado de cá do pinheiro, a cidade parece ser mais chuvosa. A amiga azul, a hora. Mas há o mar, a palavra dita. A árvore promete. O nome é de sombra. Fuga da morte. Acrescenta uma sílaba longe dos ouvidos e diz nas pedras da água. Um círculo e tudo se estende em mãos de ninguém – a palavra apedreja os visíveis choupos.

sábado, 2 de julho de 2022

20.

Poeticamente gira. Mantêm-se em giros. Moram. Içam-se. Caminhos da medusa. Caminhos da arte. E o que se explicita se desenvolve. Transpira-se desenvolvido. No caso, desenvolvem-se. Quantos são os poemas? Na investigação, a existência percorrida. Algo se toma no tropo e procria girando. Algo acontece. O arremesso, a disposição, é a chegada. Medida disposição. Tomado empréstimo. Figurativo é o encontro do vazio, da ascensão, ali embaixo da procura, nas vibrações, nos poderes. A colheita é da travessia. O grito se lança, carregando-se escrito. Transformação ida. Cabe-se, por mais falas, o afogamento. Rugem as palavras querendo içar outras – roubamos. Cruzam e vão arremessar depois. O acontecimento procria. Seria preciso tomar as existências que percorrem. Investigar os desenvolvimentos. Incluir todas as perguntas. E o giro é apenas uma explicitação. As moradas se podem buscar em todas as bebidas. Ali, em cada visão, o deslizado crescimento, caindo, acenado, convertido. Talvez ainda possa girar outros autômatos. Fazer voar, depois da viagem, na proibição, nas sobrevivências, na escalada, na escala de cada verso. Artisticamente, é claro, claro. O poupar atravessado, repousando o irrompimento somente – figuras e tropos! O giro se metaforiza como um rompimento, aqui, não muito luzente (apenas no momento do choque – segundos), porém ao começo, começando. Respiram flutuações do vulcão, o irreconhecido giro. O acolhimento se perde dito. Ela ainda invocada (sim, ela). Nosso desaparecimento: o giro de uma tentativa aparada. Tentativa mexida. De vez em quando, talvez se possa simulá-lo. Inclinar os dizeres nas ousadias. Respirar os giros, outras respirações. Duplicada queda até refletir. Transmutadamente chamados. Isso já é o dado cometimento. Todos os chamados são voltas, sim. Os giros transferem-se no movimento dos chamados. Ninguém deixa de voltear. Ninguém deixa de buscar a vida das travessias que vê e se perde, caminhando o que se deixa e se abandona. Visões de chamados, de vestimentas, de aprendizados, de vidas desdenhadas – as mãos de ninguém. Visões e invocações. Perdições que dizem a colheita do desaparecimento. Sonham o sem abertura e tornam a prosseguir a construção da arte na arte. As escritas não se reduzem. O giro por desvendar, como uma leitura deles mesmos, mas o saber de todas as artes, derrama-se e bebe em cada esconder. Em cada um deles, a cravada morte se avista e habita e inunda subidas na volta demorada de cada risco de navegação. Cada procura é a descida que esquece. Encostam a soterrada e ouvida cintilação ao presságio, movimento, disposição e medição. Movendo, chegam na falta do empréstimo, nas tomadas do vazio. Em cada encontro, as ascensões das procuras de cada vibração acolhem seus giros. Ali se atravessa: lançar o que se grita é a própria escrita do que se grita – reparar tintas. O giro de cada escrita nas idas e as idas na escrita. A transformação do absoluto é o cabimento e a fala do rugido afogado. Isso se iça no cruzamento que cada arremesso faz para procriar o giro da transformação do absoluto. Nada mais é, portanto, do que a tomada da percorrida existência do que os poemas são: falas de rugidos afogados.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

19.

Os centros do fruto fresco não tornaram a mostrar ainda o amanhã que nada mais ressurgiu a não ser o murado mundo prestes a olhar uma palavra luzente que começa a tornar o nome das coisas. Mas ela ergueu o contorno da luz, no qual a pedra de seu templo caminha estrelada – e ela guiava o reino. O homem, imediatamente, apareceu de uma maneira mais terrena. Mas, ao passo que se julgava mais luzente de um lado, e mais exato, sua noite aparecia numa maneira de humilhar que levava o silêncio frio. Dobrado de perigo, o reflexo pensava por aberta solidão, como pelo cercar do sinal rodeado das perfeições que, embora agudas, apodreceriam ainda, cintilando negramente sobre a fronte para transformar o vento em secreta coroa.