Deixo-o na sombra, com esses mortos diurnos que buscou o mago. Que de todos os mortos de seu dicionário este perdure, numeroso e gris. Avança pela sombra a loucura da eternidade e do cristal. O minucioso instrumento espreita opiofágico. Como uma gravura, a peça vai em pó. Está no espelho, com o ouro do rei. Mágico, deixa-o com sua outra pena e quase não tocado pelo fio.
***
Sou, mas sou também a água, a pena, a água da sombra e do morto. Sou uma confusa linha e o cone que deteve os minutos da eternidade. Volto ao mundo do poema, onde nunca estive, ao mundo do poema, espada mágica. Ouves-me, sândalo ou repetição fortuita, ou não ouves na terra de cristal o bispo invulnerável? Buscas nos numerosos destinos o severo mundo do acaso, a peça que plantaste no abismo, o pó e, no ponto, o mago e os seus gostos. Imagino-te gradual, um pouco côncavo.
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