terça-feira, 22 de novembro de 2022

162.

Pela quentura do sol, ondulação cujo imóvel gesto possuo, cuja natureza não abarcamos, há na consumação uma força poética até a germinação, uma física força que não estou destinado a rever, mas que me espera nesta sujeira com as veias de um bicho nas sanguíneas coisas do dia leve de luas transparentes, noturnas, em danças de papel.

A linha gasta as cidades; nossos terrores estão morrendo na agonia, formosamente. E a antiguidade, o fogo, a terra está sob os assombros marítimos da tarde e o resplendor do dia nos dará um sonho mais para a cosmogonia e violentos acasos da lua para merecer devagar e coisa tecida sobre o abismo que volta e o elemento que da ventosa visão nos livra: o olhar da fogueira.

Comovem-me os brancos funcionamentos que em nova salvação de lápis se perdem – luminosidade de águas, de terra, de montanha entre montanha – em pousos iluminados que foram o dia e o sal da voz para o fantasma. Sei que toda nuvem, apesar da emoção, é da imobilidade do poeta, reunida ao redor do mundo: da mesa, reunida para sua extinta ideia na onda.

Branda a vida, no princípio do ar, chego ao impulso e ao desabrochar e à marítima manhã que busco e me recebem tinteiros de poetas ao carvão que participaram das densidades dos círculos, e nivelamos o meio-dia num prazer aquático que dá para a flor – flor que está sob as ilhas e na monstruosa solidão – e dizemos, porque a luta é de papel, folhas de sonho, e somos nomeados e mortos no papel e a palavra assustada mede fixações azuis.

Para a evaporação que gravita em percepção caminho pelas palavras múltiplas como utilidades, pelo botão desenhado do meio-dia, sem mais pássaro salino que as recolhidas vozes do céu juntas às nervosas corridas e algum vento consumado no verão.

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