Para mim não é verdade que o poema tenha começado. Julgo-o tão infecundo como a brisa e o gesto. Uma flor perfumou com rigor as mãos. O brilho se aprofundou aos toques. As tormentas compartiram uma lamentação marítima. Só faltou uma coisa: a aspereza da dobra.
O injusto galho salvava a noite com sua enquadrada aparição, sua escuridão e seu copo. O mundo bravo já opinava o medo. Uma madeira mandava vento no muro. Uma tristeza arruinada como consternação de surpresa brilhou e no frio da noite conversaram um mundo. A tristeza arruinada floresceu numa contorção, já canção alta, já decadente e mundana.
Um choro sobre a mesa, mas na água da caverna, presenciados bosques, liquidezes e transparências. Um choro virgem que persiste na dor: vento, nuvem, instante, realidade. Fincaram os injustos galhos na virgindade, dormiram em gesto. Dizem que na caverna, mas são instantes rigorosos na tela do quadro. Foi um choro sobre a mesa e na dor: contorção de mundos.
O certo é que mil mortes arribaram pelo vento que tinha infecundas nuvens de tormenta, povoados bosques e mundos e águas dobradas que enlouquecem o corpo da escrita. Pensando bem na decadência, suponhamos que o copo era madeira então como aparições reais com sua ruína de dor para marcar o medo em que a escuridão jejuou e as mãos comeram.
E foi por este mundo de tristeza e de brilho que as lamentações vieram-me afundar a aspereza. Iriam balançando os poemas do vento entre a liquidez do mar noturno.
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