Uma carena sulcada de geográfica onda me guia de desatino em desatino. Eis o fado e o nauta transpassados pela ira. Penúria de afundar na aventura convulsiva da ousadia, penúria de ouvir o que nem no mar Odisseu ousara ouvir. Deslizam os destinos cercados de cores e esconjuros destinados. Atravesso, circum-soando, cicatrizes de bronze, e a convexidade da nave paira proibida sobre os olhos. Carnes de armadura e peito suportam resumo e missão. Os elmos rodeiam o repelido avesso de Prometeu, onde as sereias tocam as mãos passadas de Troia.
E abro os fogos na coluna onde fogem de mim os miolos do caos. Amargores e vômitos suportam e desenham a medida das fraturas de Poseidon. O sal dos ouvidos de Penélope escorre vinho e teia. Este vigilante é igual à consolação da serenidade e aqui venho viver o que jamais se viveu. Os deuses tornaram-se espelhos sem paz. Sirvo para que as humanidades se vejam a cada porta. E eis que entro na torre sem fronteiras e sem homens. De cantos e de vigílias são os transfinitos e as aventuras. Eu queria pousar como espirro sobre a ceia a minha glória neste naufrágio.
Quereria que o oceano contivesse para sempre o fósforo do arcano devorador. Aqui uma sigla de partida multiardilosa e de toque irrompe aos lances e surge ultrassom. Mas já no extremo interdito o pranto rodeia a sereia. A quilha dos guerreiros é como um peplo. A cadela recorta os fins redondos do véu de Poseidon. Tudo está nos limites e obscuro. Nas águas queria chorar os sinais premeditados com a desmesura contra as infinidades.
Os corações atravessam o Éden e caminham para além de todos os fados. Vou ficando igual à rasura da qual Odisseu diz ser apenas lenda. Os crânios estão se deslumbrando em torvelinho. Quem trouxe finalmente Penélope a este lugar? Ressoa a lança ao sopro do extracéu e o mar se retirando deixou pervasivo o instante dos deuses e de Odisseu. Ao passo do ponto, ao passo do lacre das Moiras e de Thánatos, no sigilo do osso, no sigilo da escuridão pousa a onda alta do além-retorno. Hercúleos surgem os extremos mares.
A conspiração pousa sobre o regaço. E, entre os escarcéus erguidos num aportar de viagem que é talvez ali o passar do abismo onde o céu de Helena com os enigmas é medido, fagulha a fagulha, quase me cega Ítaca como um transgredir olhado na morte. Mas logo os terrenos contemplados em sua noite diluem a carnagem e eu mergulho declinando em périplo os paraísos. Porém o além-memória não é só antiguidade, mas também desatino.
E assim, de sulco em sulco, vejo o nascimento e a criação do mundo. Uma mão passa. Infinita, a glória recorta humanidades e geografias. É tudo igual a um fado resumido. Sem dúvida, um amargo vinho nos pede amargas lendas. Porém é tão sulcado o passo e tão vigilante a aventura que eu, caótico, encosto a nave no mar das viagens escritas como uma partida.
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