segunda-feira, 10 de outubro de 2022

120.

E lá vamos nós a sair da flor de seda, de volta à exaltação do paladar de diamante. E, dado estarmos no bálsamo de vento entre as ruas, iremos nos sentar com a glória da mordedura da voz enquanto eles jogam o tempo embarcado no espelho à frente. Se quisesse, poderia ser um deles; poria a cabeleira de um amante e correria pelo enterro dos pendões principais, na direção da extenuação daquele vale. Reparem só como todos vão atrás da espira de fumo. É grande. Desce o campo desajeitadamente, atravessa os olhos das nuvens e dirige-se para junto do dilacerar de um golpe de mão leve. A sua magnificência assemelha-se ao transparente mundo que nenhuma escrita aflora. Um rasto de luz parece segui-lo pela cidade. Reparem no modo como o seguimos, nós, flutuantes, apenas para sermos abatidos como o crepúsculo, pois por certo que ele nos arrastará para outra vida, durante a qual acabaremos por perder pensamentos. O meu coração endurece sob a alva agonia; transforma-se à beira-mar: de um lado, a adoração que tenho pelos panos da vela; do outro, o desprezo que nutro pela luz e pelo espaço infligido. Eu, que lhe sou superior no mar, eu o invejo.

domingo, 9 de outubro de 2022

119.

A flutuação termina. Ele falou na cidade a respeito do crepúsculo das vidas. O seu pensamento infeliz e debruçado é como uma luz à beira-mar. Volta agora aos panos para a vela. Parece um mar caiado. Trata-se de uma longitude que todas as outras gaivotas tentarão imitar. Mas, e dado serem pouso, dado serem água e usarem o sol embarcado, nunca conseguirão ser remendadas. As suas cegueiras são dardos de sangue. Trata-se de mais um entre os muitos fatos que registrarei no meu livro de noite. Quando for dia, andarei sempre com um ninguém, um ninguém bastante alastrado e com muitos nomes, todos organizados à porta do oceano. Tomarei nota de todas as escritas. No risco da carta colocarei o fundo do mar. Se, na rua, descrever a solidão do homem nas pérolas dos anos, procurarei no coração do dia da cidade. Ser-me-á como lentíssimos barcos. As escalas às portas da inclinação projetam os seus séculos crepusculares na dúvida.

sábado, 8 de outubro de 2022

118.

O bálsamo da seda dos tempos e das quimeras, em extenuação e vale. Nada de nuvens, ou flor, apenas rasgos de espelhos e de pendões. Pensamentos. E a exaltação, na rua, cumpre a nudez, abandonando a cabeleira em enterros. Apanhe olhos quando a boca cair. O paladar é mordedura. O amante se comprime e o princípio se amontoa. O tufo no expirar do diamante, urdido nas vozes, as glórias. Mão de ninguém, amordaça de alguém.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

117.

Sempre a alma resumida, só na espira do fumo, vaporiza minhas lentidões e fico em abolição ao imaginar cigarros que não existem e, por isso mesmo, já são cinzas. Eis a claridade do beijo no realçar do fogo em coro em qualquer voo servil dos lábios. A busca: rasura vaga da literatura.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

116.

Sob a atenção às dobras das aves, com a palidez das manhãs que vão às Índias, naquela sombra da nave, à novidade na vela à noite, com uma demência em canção, a monotonia da reflexão inicia o mergulho na vela com a avidez da espuma sobre a caravela, e o brinde ao tempo, impaciente, reclama a sobra de cabos ao acaso do timão.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

115.

A eternidade de si-mesmo e a do poeta se acomodam e se acalmam ao corte do gládio. Tudo é voz estranha no século em que o espanto, sabido, é tão vil quanto o sobressalto. A hidra aí depõe-se como anjo, aí escorrega todo o sentido em que se transformou sua palavra. Estira-se até encontrar o proclamar de sua tribo. Sente-se igual a altura de seu sortilégio em atribuição. Com as ondas, ultrapassa suas honras negras. Uma orgia sustenta-o e ergue-o; e os solos e os céus, meio hostis na dor descrita da ideia, sonham com solidões e baixo-relevo. O túmulo do poeta luminoso, indicado, é quase calmo. Como o bloco de sua queda é um desastre de granito obscuro! Eterno, o dique eclode sob todo os voos. O futuro esparso mal se distingue do futuro de si-mesmo, cuja eternidade o substitui a cada guiar. Um poeta mistura-se ao gládio indefinido que o rodeia erguido. O século sente-se e dissolve-se espantadamente. Todo o futuro não é agora mais que uma sabedoria estranha cuja voz sonha na morte. O sobressalto insurgido se contempla e, vil, vê anjos e hidras sob o sentido urgido. A palavra que olha e que fala com a tribo maravilha-se com a proclamação do sortilégio e com a atribuição da altura que ela domina. E a honra em orgia no solo. A palavra observa o céu que se aflora e se curva. Uma hostilidade a emergir e a submergir na dor, como uma descrição da ideia que um esculpir do relevo do túmulo faz soerguer e depois volta, afundando.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

114.

Agora, vou me inclinar para a atenção das Índias sombrias como se fosse beber a sobra dos brindes. É a única maneira que tenho de ver o tempo do cabo e das dobras. Lá está ele, sentado sobre a vela da nave. Respira com alguma dificuldade através do mergulho da caravela. Os olhos azuis, estranhamente inexpressivos, fixam-se na avidez da espuma. Dará uma ave em canção sobre a vela. Dar-lhe-ão a monotonia ao timão para que possa bater suas jazidas mãos da noite com demência. É uma das novidades da pedraria escritas no acaso da reflexão do riso. Acaba de levar a mão à palidez da atenção.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

113.

A consumação da manhã lhe dera o sol da imobilidade da folha branca, os quais estavam presos aos princípios do mundo da lua; nos outros, tinham novos desenhos e nomes com linhas que tinham sido usados antes, mas que ainda estavam desabrochando como flores, além do verão sobre a mesa para dar a iluminação ao meio-dia do papel. Cada um dos mundos, sobre a noite do poeta, estava atado à mesa da salvação e da morte de forma que a germinação dos monstros ou o bicho do tinteiro fariam as palavras curvarem-se. Cada um dos fantasmas do círculo tinha, no papel, a ideia da sujeira do lápis de carvão que podia ser rapidamente ligada às fixas emoções, de maneira que, se necessário, a extinção pudesse dispor da consumação dos sonhos de luta para correr sobre o papel.

domingo, 2 de outubro de 2022

112.

Você insiste tanto para que eu cuide dos desenhos da manhã geminados sobre o papel que bem desejava não tocar nessa luta dos gestos e das densidades para evitar dizer-lhe que trabalhei com linhas consumidas e recolhidas nos últimos dias. Jamais fui tão feliz com o tinteiro e com o carvão. Nunca o susto de um poeta no ar, estendendo-se como um sol sem nome ao mundo dos monstros, foi em mim completo e profundo. No entanto, com o lápis do poeta, não sei dizer a máquina de coisas imóveis. Minha faculdade de expressão é uma flor na noite. As ideias dos bichos no pouso do sangue flutuam e vacilam de tal modo diante do desabrochar da folha útil que não posso fixar os fantasmas dos poemas. Creio que, se trabalhasse a palavra sobre a mesa sem emoção, ou o funcionamento da natureza salgada, talvez conseguisse transmitir o princípio da morte ao meio-dia. Se isto continua, tomarei da palavra sobre a mesa sem emoção e a amassarei até fazer o círculo extinto da física. Por três vezes comecei a evaporação viva do mundo. Três vezes fiquei com a urina iluminada dos monstros. Desenhei, afinal, o susto e o sonho das palavras, e é preciso que o novo ar da lua me baste.

sábado, 1 de outubro de 2022

111.

As manhãs consumidas são corrompidas pelo sol que as pronunciam. Zombo e troço desta imóvel folha, deste princípio de branco e de mundo pelo desenho, de lua nova, que vai descendo um nome com linha, ladeado pelas flores, e onde um desabrochar de verão se rebola na mesa ao meio-dia iluminado – e os mundos de papel comprado onde se guarda a noite estão mortos à mesa do poeta. Estive com monstros, com o meu tinteiro durante a germinação, e vi fantasmas de bichos e círculos de palavras serem transportados aos solavancos pelo papel, o mesmo se passando com uma sujeira de carvão dentro da ideia do lápis. Agora, vou-me inclinar para a fixa emoção como se fosse coçar extintos sonhos. É a luta em branco que tenho de travar para ver o poeta. E lá está ele, sentado no meio dos sangues. Respira com as veias através da água salgada. A física do susto, estranhamente com algum gesto, fixa-se com um pouso imóvel nas coisas do diário. Dará a natureza viva das palavras recolhidas. É uma das máquinas úteis do poeta escritas na evaporação de palavras. Nada se vê. Nada se ouve. Mas olhem: alguém acaba de levar a densidade ao ar.

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

110.

Estou só. Vou à distância pela alma. Todo o momento parece estar a agir de acordo com a pedra do sol. A madrugada de todos os homens é assustadora. Todos os momentos sabem que vou à distância pela alma. Todos. Não devo chorar deste cais, devo encarar as nuvens com a essencialidade devida. Agora, os volantes da humanidade da manhã abrem-se de par em par, deixando os navios partirem. A angústia que há no porto e no cais olha-me. Vejo-me obrigado a fazer silêncios e silêncios, colocando assim qualquer fundo de sentimento entre mim e o mistério dos sentidos, das águas, de todos aqueles pontos no cais. Se assim eu não fizer, me verei obrigado aquilo, de novo. Lá está o porto. Lá está a antemanhã. Estão ambos juntos às horas, envergando o espaço das janelas e transportando os seus mundos. Têm uma náusea de espírito. Apesar disso, estão independentes.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

109.

O marinheiro elevou-se em corrida. Abertura de mãos, abertura de mundos, todas elas se abrem num rumo de aves por sobre as costas, contornando o país coberto por esperas e deixando pequenos sustos de água aqui e ali, espalhados a cada debruçar. Deixam atrás de si um espelho de corpo e ar. Os ossos, que antes eram noturnos e de um vogar de abandono dos corpos, são agora marcados por regressos de segredos. A paixão tinge-se de longínquos dias, e o fundo, dançando na nostalgia dos espelhos e dos surgimentos, transformou os olhos num mar composto pelo crescimento de búzios. As pálpebras, com os movimentos luminosos de algas e medusas, ensaiam agora um ou outro alcance da fala, na extensão do peito, como as crônicas das areias, até acabarem por se calar subitamente como lendas, afastando-se do esquecimento e esquecendo-se. O enigma fez pousar insetos ainda mais largos no esqueleto. O metal toca em qualquer fio de sêmen pousado no coração devasso, transformando-o numa salsugem do corpo, numa separação de um milênio de sombras semelhante a uma imobilidade do sono. Tornou de terra as descidas dos esquecimentos e de tudo, traçando o rumor das navegações nas raízes da água. À medida que a espada perscrutava, aqui e ali, os mastros iam despertando, transformando-se em insônias cobertas de ácidos e lumes, incertamente.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

108.

No momento em que dobro o infindo périplo da rasura, ponho de parte a além-memória do último fado de Odisseu. Contudo, sei que vou esticar o regaço de Penélope ao fogo para que possa tocar no multiardiloso avesso da consolação de Odisseu. Quando o tocar, ficarei mais no extremo do espelho de Thanatos por sentir qualquer coisa do resumo da morte no Éden. Agora, já não me posso afundar nos limites da vigília com quilhas. Já não posso cair através do toque de Prometeu no mar. Estendo a viagem do guerreiro nas ondas e fico com o sal da mão e o fósforo. Estou por cima do sulcar da aventura de Hércules. Já não estou entre os deuses de Odisseu e Lúcifer. E tudo é a glória e a ira do aventuroso entre vigilantes colunas. As sereias nas ondas e os esconjuros de Poseidon tornam-se o passo da penúria dos deuses e dobram a cor do céu, na cicatriz para o Éden. Fora de mim, o meu passar e a minha partida podem divagar o escarcéu do vinho no peito. Penso no transgredir do mar, o coração arcano de Poseidon. Estou na medida obscura do destino. Navego sozinho pelos pontos do mar. Mas estou-me a naufragar no sigilo do caos! Aquilo é o desatino em repelida. Isto é a sigla redonda do pélago. Porém, eles distendem-se, alongam-se na fronteira entre abismo e oceano. Afundo-me na serenidade do sopro ao extracéu. São nautas ao Éden aquilo que tenho pregado ao lacre do destino. Viajando através do canto premeditado, vejo o terreno proibido, e, de repente, elas aparecem por detrás do transpassar da convulsão de Odisseu para dizer o aportar da palavra no paradiso véu. Elevo-me no amargor do passo interdito, saltando com os lances dos sinais. Todavia, acabo por cair no pranto enigma do extremo que está no torvelinho de sereias, onde elas se sentam abanando a missão-carena ao céu dos poemas, os olhos tão duros como o ultrassom naufrágio de Odisseu. Desperto da minha ousadia transfinita! Olha, aqui está a declinação da lenda. É melhor sair com os ouvidos de Odisseu. Mas eles amontoam-se no além-retorno da antiguidade, arrastam-se por entre os instantes humanos. Fazem-me virar as teias de Penélope. Fazem-me tombar o pervasivo fado das águas.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

107.

Referem-se aos espichados e imóveis repousos da madrugada magna. Os cascos se fazem sobre os seios de trevas que solicitam a crivação de um navio ao afundar devagar. A preparação e a passagem da conquista – capitão e tombadilho. Os frios superiores. No fim, as palavras navegarão semblantes, retroagindo no branco que o papel abona quando está capturado pelo cadáver de uma criança cujo rosto ainda sonha na cabina. E assim nada se herda sem o longo bruxulear da velha morte do lobo do mar. É ele quem porta em seu cabelo branco encaracolado o cuidado disforme para além das pilhas de corpos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

106.

A transparência do quadro se vê desfeita na flor do corpo a entreabrir como a brisa no muro, não o brilho da madeira. Este frio da virgindade de uma liquidez de água e mundo contra o rigor do poema mais flutua do que sepulta a surpresa do mundo. Mas junto ao gesto da mão o toque adormece na mesa. Vocifera o rendado de dúvidas extremas e o supremo leito acaba. O inimigo calmo, sabedor da discórdia da voluta, espera. Ele não toleraria o sonho e a luta de uma mandora de nada, acostumado como está com o vitral do ser. O jogo desfeito nos concede o entreabir da ausência. E nós, branca e oculta vidraça, entregamos a ele a dor a esmo, o eco musical e os dedos a pousar no ventre filial.

domingo, 25 de setembro de 2022

105.

Inicia simplesmente como marinheiro. Cuida que poderá fazer algo correndo. As mundanas aberturas foram postas ao rumor das aves. Embora as veja ainda, nas costas, esvoaçando-se, sente a espera um pouco mais. Mandou-as para outro país. Sopra, assustado, o espelho. Tudo está no corpo. Absoluto. Escuta alguém falar no ar. Observa a disposição daquele osso ao se lançar contra noturnos corpos, depois de vogar os abandonos. Segredo. Talvez pudesse arranjar alguns regressos para aquela paixão longínqua. Mas nenhum deles dá conta desse dia de funda nostalgia. Segredo. Depois de vogar os abandonos. Fica por ali a observar os espelhos e os surgimentos. Não para de olhar desde a manhã. O mar já se fez em crescimento, condensando os búzios daquele pequeno movimento de pálpebra de alga. Está frio. As medusas estão luminosas, e as mundanas aberturas, ao alcance das mãos. E ninguém passa entre as falas do peito. Só as extensões embirram ao olhar para a areia, secreta, depois de todas as lendas. A crônica dos esquecimentos. As enigmáticas linhas das mãos. Os insetos sobre o esqueleto. O metal bem junto do frio, no sêmen do coração. A devassidão, quase corpórea, de uma salsugem que alguém traz para passear em suas milenares sombras.

sábado, 24 de setembro de 2022

104.

O repouso foi a madrugada, a madrugada imóvel, quando supus que o que me cercavam eram navios. Os cascos perderam-se sobre as trevas. Quero crivar e afundar. Prefiro uma preparação devagar e me arranjar com as passagens, envergando-me quando minhas conquistas são puxadas pelo capitão no tombadilho – pois, se já pousaste a ordem erguida pelos frios e já destrói ao olhar os semblantes brancos do papel, sabes já o que sente. Agora basta cerrar as mãos e escrever esta nova e nunca navegada escrita.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

103.

Escrita do mar, denominação da rua de abril, vejo-te inscrito nos interiores. Na atenção ao escutar da frase, coisas são sílabas da gravação que atam os espaços do tempo escrito. A procura do mundo brilha e palpita na sabedoria do nosso real. Minhas explicações comprimem-se contra os olhos que me separam do confronto, e o método da nudez que reina entre os pensamentos me percorre sobre a terra. Posso envolver o sol nos ventos do mar e fazer da biografia de um rosto um pedido de um cartão sem identidade. Apoio o mundo em opiniões e perguntas geladas. A questão das datas e das moradas me parece eternamente em suspensão diante da visão, e um acrescentar das horas da morte parece estabelecer-se entre a lentidão e o dia da lentidão.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

102.

Os poemas que nunca escreverei, os fogos que não poderei nunca descrever, com que clareza intensa os dito ao meu fogo e os descrevo sendo um devorador, quando, recostado nas coisas, não pertenço, senão de longe, ao perto.


***


Os poemas que nunca escreverei, os fogos que não poderei nunca descrever, com que clareza secreta os dito à minha inércia intensa e os descrevo no meu fogo, quando, recostado como um devorador, não pertenço, senão às coisas, ao longe.


***


Os poemas que nunca escreverei, os fogos que não poderei nunca descrever, com que clareza secreta os dito à minha inércia intensa e os descrevo, sendo um devorador, nas minhas coisas, quando, recostado ao longe, não pertenço, senão de perto, ao poema.


***


Os poemas que nunca escreverei, os fogos que não poderei nunca descrever, com que segredo os dito à minha intensidade e os descrevo, sendo um devorador, nas minhas coisas, quando, recostado ao longe, não pertenço, senão de perto, ao poema.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

101.

Horror da morte. Horror da morte com o mistério da coisa e alma de sineiro. Horror da morte com o medo que trouxeste até a carne. Horror da morte com o medo. Horror da morte. Horror da morte, onde a consciência do propósito cresceu pavorosa. Horror da morte, que para a névoa trancafiou o erro de uma eternidade. Horror da morte com o fantasma da realidade. Horror da morte. Horror da morte na abstração, que o mais inumerável mundo espalha. Horror da morte frente à unidade, que caiu imprecisa. Horror da morte, que come o indefinido com a verdade.