Topologia em lugar de perguntas desafiadoras – escrever, ir, transformar, hóspede como o mundo. Há nome no que se pode caber. Muros feridos de folhados tempos. Criminosa conversa que em cada tremular fala. Afoga o pedaço no mar capital. O mar da mão – inocupável eternidade. Limite-rugido. Impotência içada metro quando se cruza e se arremessa. A mão procria o tentáculo.
quinta-feira, 30 de junho de 2022
quarta-feira, 29 de junho de 2022
17.
Irei, agora, esvaziar a lua. Encontrarei palavras e milagres de marítimas crateras. Após, ascenderei procurando os primórdios no renascimento, poeticamente. Quando a minha cabeça vibrar naquele caminho, inauditos autômatos artísticos atravessarão figuras e, em tropos, gritarão à medusa em outra direção. Assim, procurando os primórdios no renascimento, acolherei sobre minhas palavras o absoluto lançado do que antes era apenas realidade e carregarei, nas mãos, existências despretensiosas de investigadas metáforas.
terça-feira, 28 de junho de 2022
16.
A mão atravessou os olhos da hesitante escuridão com tamanha palavra e pedra, e ninguém repousou seus ares no verão das flores. O cego sobreviveu. Havia água entre crescimento e corações tardios de paredes. A mão até irrompia só, rompendo a forma com palavras e martelos, esperando a neve se esvaziar sem ter que luzir ombros. Era amoeira, verão, nas folhas, rios no norte, e futuro a começar redes. Com as sombras cheias de pedras e rostos, uma intocada noite de quando os pensamentos respiravam a sombra irreconhecida as cedeu, escondendo dentro do estigma vulcânico um ar pelo dique a se dispor, medido por palavras que chegarão a estes mares, a uma só massa tomada nos seres flutuantes, nas bandeiras vaidosas: imagem de uma cópia em teu tempo nu.
segunda-feira, 27 de junho de 2022
15.
Nos olhos ao frio dos véus
Arrumo a noite que tu, confiante,
Escalas com formas sonhadas por mãos.
domingo, 26 de junho de 2022
14.
A humanidade onde transferem os musgos rápidos. Os sangues que morrem nos dedos do tempo. As ruas do mundo. As mãos, os segredos, os pinhais, as palavras nos corpos, o choro duro, a pedra do caminho, por buscar seus ossos sem saber se viverá cores, os sons, os vegetais. Muitos silêncios plenos costumam atravessar as sílabas. Enfrentam o abandono das obras cujo receio se perde em justos olhos. Depois disso, as rosas, os rostos, os fundos, o mar, a mão – caminha na sombra. Eles chamam redondo porque numa só terra vestem o branco dos papéis. Abandono tudo com mãos de quem vê que uma tristeza deixará lágrimas. O rumor no instante dos fogos, cujo mundo não é mais aprendido. Mares, o deserto indefinido e sem o terror – ainda visto. Medos em morte vivem, enfim, a verdade, que nunca desdenhou dos passos: impossessivo reino.
sábado, 25 de junho de 2022
13.
Suas cabeças são idosas nas luzes e alucinadas têm uma escura lentidão de bocas e de nervos, que move essa fera aérea; a qualquer momento, eles podem pressagiar viagens ou cintilar lugares. Ouço em vida uma esferográfica de corpo, com uma desilusão de mar; uma manhã antiga, a despeito das cabeças noturnas; os degraus mais longínquos, em que se soterram os corações magoados, e a folha de papel pequena, são terríveis. As cabeças são as únicas partes com infância ou interior: o resto é insônia imóvel encostada sobre uma paisagem.
sexta-feira, 24 de junho de 2022
12.
Mexem-se ou simulam-se os olhares imóveis das folhas. Antes de inclinar mais um nome inigualável, a beleza deve respirar a fluidez de tinta da chuva, obliquamente. Há de se derramar com as poças quando ousar fazer palavras, dizendo o canto de sua senhora, antes da figura imbricada cair na abatida história, duplicando-nos. A natureza reflete o sonho que transmuta as vítimas. Derramavam vivas. Não dava o pecado que a heresia comete na demora. Chama o mar e, de séculos sentados, volta escuro à folha. Outra tristeza se avista. Quase esconde o longínquo morto. Ainda de séculos sentados, bebe o vulto dos troncos. Aqui, na vela – sonhador de navios.
quinta-feira, 23 de junho de 2022
11.
Entre no centro da frescura do fruto e o olhe aberto, mostrando o seu agudo amanhã. Este há de erguer os muros e os mundos, em conformidade com o reino das palavras. Ressurge o nome vivo e, ali nas coisas, há de caminhar. O agudo amanhã, ele mesmo sem contorno, e com todos eles, é a pedra de todos os amanhãs e o tempo entre luz e estrela. Tornamos e aparecemos. Um homem agora, feito de terra, guia-se com uma luz negra de corações duros, uma exatidão secreta de cruz, uma noite de silêncio verdadeiramente aparecida em seu frio, em direção ao monstruoso perigo dos reflexos, à monstruosa cidade de neon, de grande solidão.
quarta-feira, 22 de junho de 2022
10.
Tu és secreta como a noite; e teu silêncio caminha tão verdadeiramente que ele guia as grandes estrelas, segundo seus frios e seus perigos, seu reflexo e sua cidade, e esse enfeitado neon que aparece pesadamente à solidão. Tu és tão secreta quanto te julgo. Como meus sinais levam novamente à perfeição de tua fronte e como a fronte pensa o vento! Teus papéis movem quaisquer olhos; a tinta, o destino, o corpo dos dedos que pressagio e cintilo, e que soterra a terra à tua sonolência, a uma das línguas ou dos ecos encostados sobre a tua cabeça para que a luz a ela se esqueça e não desça até que tenha procurado e povoado o interior das ânforas.
terça-feira, 21 de junho de 2022
09.
Busquei montes, ocultei as transparentes tardes da aranha. Da luz que buscava quis desenhar só luzes para a lança. Do barco que naufragava, passei a quebrar apenas o que se podia, em promontório marítimo e terraço – contar cada vez mais dentro das águas. Nomeei para que todos os deuses, todas as ruínas silenciosas do meu templo me mostrassem apenas espantos. Ressurgi na minha habitação numa forma circular. E ergui esse círculo para medidamente aquoso – tornei-o apenas meu o sal.
segunda-feira, 20 de junho de 2022
08.
O relato antigo que ouve todas as batalhas náuticas nas luzes como nas lunares estrelas, nas fábulas de pais como nas de avós. O inimigo contara o navio rispidamente animado, de uma briga genuína de tarde. Haviam dito os horrores entre os canhões, e as balas, mais vergadas de uma rapidez varrida, venciam as mãos. Quando se fechavam, disparavam novamente, como que destinadas. A escuridão, que parecia ter se embaraçado, parecia estar clara. Pelos agonizantes rostos dos mortos atacados da noite, esculpia-se o ângulo de lunar parede da noturna solidão azul. O seu rio era luzente. O roxo abriu-lhe com o verde. Nas trevas procuraram antiguidades. E, na serena manhã das coisas, uma vida desesperada por qualquer corpo erguera e acendera o canto das faces, dos ares e dos recortes.
domingo, 19 de junho de 2022
07.
Chorar é destacarmos outras sementes interiormente. Por isso, a porta é o destino – é despedirmo-nos da primavera. Num daqueles dias, o semblante se perdeu de sua afabilidade. Recebeu o verão quando o vento pareceu se desenhar. À medida que alguns termos ficavam na brevidade, segundo seus instantes, as luzes se detinham com mais frequência no céu e em áureo tom. Mas eis a clareza: numa daquelas naturezas, apareceram as eternidades, atravessando-o muito mais. Naquelas sombras seguintes, não desejava contar as mortes últimas daquelas eternidades, nem as estrofes do tempo delas, nem caminhar com a posse de uma vida qualquer. Quis, somente, multiplicar as eternidades para cada coisa que brilhava e morava. A tela esperou, as memórias fecharam o branco, e ele jamais teve o corpo de gemer. Por esse motivo igualou, infinitamente, as eternidades. Conheceu a inscrição do fundo e uma imaginada voz. Repleto, igualou todas as eternidades e, em suas variações, se deu a página de modo a esfolhar-se de longe.
sábado, 18 de junho de 2022
06.
Há três dias que odeio e que procuro na palavra pequena e fria uma manejada noite, do branco que sonha, que faz o luar. Com que instante temporal eu, às vezes, espiritualizando o poema nos segredos do fogo e preparando, de dentro da palavra, as coisas dos devoradores, as intensidades das facas, os usos do seu universo, o poeta em alguns azuis, os poemas com gumes volteando histórias nas tardes – falando tudo isso, retumbava, com que mão de tempo me emigrava às densidades da semelhança esta solidão de escultor.
sexta-feira, 17 de junho de 2022
05.
Busco-me apenas na torção, no corredor de uma palavra, na náusea de uma traição, no tempo da mentira onde um verde rosto aparece no absurdo ninguém de um jogo. Da mão vingativa da conversa às penumbras do pecado já amigo no rosto, qualquer tempo é um mar de luzes e qualquer vento traição. Quando ressoei o traço da escrita, tive a nítida impressão de ter vestido a noite, de haver partido estátuas interiores. Somos todos contornos de sonhos exteriores nos dias, que sentam as suas trovoadas ruidosas como se fossem sozinhas vozes da rua. Tudo se pede muito pertencido para que eu possa destoar os meus gládios uma vez ou de leve como um relâmpago. Sim, a sombra se assustará no quarto. Som, suspensão, haustos ao redor de ampliadas profundidades. O som chuvoso ofende o intervalo da fala. Parta e ela morrerá. Que inquietações o quebraram? Som de escrita, poder de uma só pena, branco antes do branco, palavra de palavras.
quinta-feira, 16 de junho de 2022
04.
Este tempo selvagem de obscuridade, o meu ar, parte às vezes com o azul conscientemente pelas grades luzentes do sol, nas impurezas noturnas em que precedo uma densidade entre chacais de pesadas amarguras, pelo homem marítimo dos tempos. Ao mesmo tempo que em azul me deixo por marinheiros e tranquilidades, fica perfeito o deus em alheamentos de ruas. Casas muradas de sangue, de árvore, de jardim vão de embate à minha lágrima de destruir. Refletidos lagos poupam a minha antiguidade. Pouco a pouco, vou cumprindo a infância humana de que me repito com tudo isso, de que odiosamente me perco, tornando e renunciando-me entre janelas que ritmam mãos e corredores onde mãos escorrem.
quarta-feira, 15 de junho de 2022
03.
As mãos de ninguém dividem a possessão das concavidades e o impulso dispersa a promessa dos ombros. Esperas da tarde. Horas luzentes e sombrias. Costas propícias de jogar todas as mortes correntes. Proibições contra o que perde o pensamento nomeado que passa. Lei oscilada no mais ventoso. Reinar no sal e na espuma no meio disso tudo é uma violência às longínquas praias do tempo liberto da vitória, diluído da verdade, ou liberto nas ruínas da morte.
terça-feira, 14 de junho de 2022
02.
Barcos olhados no azul de memórias. Movimentos de animais pintados nos sóis. Literalmente o vento range furiosamente. E assim não pensa a consciência que vai bater e avançar. O barco não verte nada do vento – resolve a si mesmo. O tempo imaginado soa os sonhos. Fita a calma do horizonte de uma paisagem. E nela os olhos são o passado que beija presenças terrenas. Saudades infinitas do céu. Beijos em absolutos rostos. E a brisa, como uma boca, se desprende.
segunda-feira, 13 de junho de 2022
01.
Se eu tivesse oscilado, o sabor da morte reinaria. A corrente da medusa diluiria a pupila e a imagem. O próprio país da transparência libertaria um coração vítreo. Mas a memória é uma presença pausada nesse branco. Aqui estou, também, debruçado, morando no poema. Sem nenhum corpo e com todos eles. Nas vagas do nome, só destinos há. Aquoso é o passo e subimos de alguma maneira em passos da juventude. Somos portadores da morte maior da esperança. Amargores, diria, caindo. Mas a juventude é surda, e nossas mãos, baixas e roucas, também. E nossos rostos – uma ausência reparada de invadidos deuses.
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