segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Noite nanquim — 13

    Alguém observa o lobo aflorado e curvado. Espreita a gaia pantera. A cabeça fabulosa que emerge e submerge em constantes comoções, como a planície sem sendas onde o viajante do fundo do horizonte soergue e volta a afundar as palavras do poema. A vontade liberta o ser e compõe misteriosamente a necessidade invencível de andar. Há no cinza celeste a complexidade atmosférica do perfume que interroga os monstruosos animais, que acaricia e colore as costas do ser despido. Os músculos elásticos e poderosos se perdem e se fecham sem chão. O semblante resignado dos que foram condenados a esperar para sempre se enfraquece. O mármore de Baudelaire, num sonho, abre agora suas quimeras.

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