quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Noite nanquim — 20

     Retiro-me da história e me restituo ao espanto dos heróis. Nobre dia. Falo. Mudo pernas em relvas. Tudo é atraído para as geleiras, para os ingênuos pecados, para a vitória vária que palpitam raios e rubis. Calo as palavras interiores que se rendem aos gritos do ar e do fogo. O mar longínquo é um reinado bem junto da folha. Saboreio o púrpura e a vinda das carruagens. Os céus, ali adiante, vertem territórios. O fervor e o esplendor suspensos entre céu e mar são tão intensos que a hora e o livro, a visão do personagem e a perturbação de ser brilham e morrem — formam a tapeçaria e o espelho de quimeras. Persisto, mesmo sem linguagem. Insisto na palavra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário