Na presença deste relógio porcelânico — e fora das diligências de outrora —, o espelho do mundo inteiro. A velha tinta de ouro no alto das janelas. As víboras desdouradas anunciam o velho almanaque. Todos os mortos. O antigo tapete. A veste desbotada. Os campos que não há mais. Os móveis proclamam e representam as teias aracnídeas e as grandes janelas. Tudo afirma todas essas coisas que existem neste exato momento — é outra coisa — e que existem como se não existissem. Na presença das flores, dos deuses, dos poemas, das coisas fenecidas — e fora dos objetos novos. Tudo distinto dos medos, igualmente distanciado de toda ousadia gritante e de toda ação. Somos palavras e restos malditos de uma frase absurda — tintas de caneta, traços de escrita e despejo de palavras. Não faço parte do que é iluminado pelos lábios. Minhas sensações não me pertencem.
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