segunda-feira, 28 de julho de 2025

Noite nanquim — 11

     No templo de túmulos, a noite abocanha os sonhos apodrecidos da menstruação. Gostosa é a água da boca de esgoto. Perfeita esposa das gotas de lodo e rubis. O ídolo Anúbis se acomoda e se acalma, abominavelmente. Tudo flui quando as teias, desembaraçadas, são tão vivas quanto as aranhas. O focinho depõe com brutalidade seu uivo. Escorrega todo o comprimento em que se transformou sua mecha de trivialidade. Estira-se até encontrar o gás elástico. Sente o sentimento do poder distendido. Deleitosamente, ultrapassa opróbrios sustentados pelos dedos. Suas forças flutuam entre lâmpadas. Fundem-se na massa selvagem do véu. Sonham com vilas e vírus.

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