quarta-feira, 9 de julho de 2025

Noite nanquim — 06

     Nada e espuma encolhidos, distendidos, remexendo taças e versos. Reparte-se, afastando as massas de sereias. O inverso enfim se desfaz de sua virgindade. A virtude de ser navegante percorre o poema, que arrebata as palavras com surpresa. Popa e proa. No cais deserto, as mãos mordidas imergem com impaciência ao farol da noite distante. O despertar dos desejos em pompa! Mas na hora as vagas tomam conta dos trovões adversos. Do empenho à voragem pura, o acontecimento faz-se não temendo a arfagem. É preciso romper de pé! A grande e milagrosa realização de ficar de pé. O brinde do simples. O brinde do inexplicável nessa vela. Apresenta-se agora, experiência, junta-se aos recifes no canal. A estrela levantou voo em direção ao alvo. Penetra, com desvelo, na esfera das solicitudes e dos panos e compõe o destino, singrando escuridão adentro.

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