Dança sobre o papel: na noite inquieta, vórtice de pluma nanquim, enlua-se a morte consciente. A forma se cerra tão hermética que convoca as mãos para os mistérios dos mares e dos rios, do Tempo e do Espaço. A fugidia plenitude do nada alarma o toque no espírito. Cria todos os raciocínios da vida e recomeça mais uma vez o conhecimento das faces. As palavras excedem sobre os ombros o tédio e o ódio. Os desequilíbrios, a firmeza do terror, erguendo e conduzindo, beijam os lábios do abismo. Os milhões do mundo e as armadilhas colocadas sobre a alma caem e perecem na mente vazia. Abandona todas as vozes. Todas as vozes o abandonam. Torna-se as próprias mãos invisíveis. É preciso acariciar e esmagar, matar e perecer, submeter e dominar – encadeando inteiramente as malhas da rede.
Nenhum comentário:
Postar um comentário