segunda-feira, 13 de abril de 2026

Noite Nanquim — 59

    De súbito, sinto o naufrágio nos vórtices da miséria. Quem está, assim, tão perto de mim nos campos? Não ouso jogar minhas mãos para as grades da janela. Sei muito bem que agarrei, já nas alturas, a coisa viva que mudará toda a mente. Estou aqui com todas as formas do pensamento, com todas as povoações, com todas as consequências do horror. Tudo se aproxima. Espero o instante em que haja mais espera. As paredes sem reboco. Sinto a fatalidade que há na voz. Meus lábios se abaterão sobre o teor do enigma como outra criatura.

Nenhum comentário:

Postar um comentário