quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Noite nanquim — 22

     Pano terrível! O mais alto grau da noite e do ébano na sombra suprema, na oscilação mais elevada, pêndulo escapando ao oculto, encontro, em vez do clarão, a percepção. O elevado ruído tem a forma negra mais definitiva. A sombra está ausente em todo o seu intervalo desaparecido. Aqueles que os panos não podem sustentar estão invisíveis. Ele se esconde em sua ideia e se refugia em si. Na vertiginosa imobilidade, encontrei o ruído e a noite no centro de todos os precedentes. Não acredito mais em nada que não tenha alguma ligação com o cordão sensível do pensamento — como estes meteoros sobre a folha de papel. Falta-nos, ainda aqui, a ação meteórica da construção existencial. Todas as sensibilidades humanas me afligem e decido plasticamente sobre o real que me abomina.

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