quarta-feira, 31 de julho de 2024

Do mar — 11

À direita, a costa de terra desperta os olhares e os sertões e os artigos desta colônia, e os destinos, à esquerda, retêm o mar atual em mil homens passados da aventura. Desfile de indefinições. De fato: absolutos carregados de quimeras, de combatentes e bordas, na nova terra de padronizados cabos de nomes atônitos e as missangas sobre as mais incríveis costas, vinte setas, ouros, madeiras e explosões verdes ou saques, cheios de terra. Até canhões sob prêmios misteriosos, ostentando novidades de mortificações, no roubo das entrecruzadas misturas. Que temor! Montadas saudações e marinheiros de tinta e gajeiros deslizam em mastros. Tripulantes ancestrais circundados de lemes e tombadilhos de papel rugem rudemente dentro dos porões. Os pilotos do perigo badalam nas vigias suspensos atrás dos cabos. Navegadores de mortes gritam nas escotilhas. Mareantes de beliches, sujos, chegam em guindastes e cargas metálicas como a imensidade das pontes. Sobre as camisolas, em meio a cruzadas, os marujos buzinam audácia. Os olhos da amurada e os tetos dos pombos, aventureiros do convés hasteiam bandeiras. Retorna o serafim luminoso! As mãos estão próximas. O aceno não ajuda. A dor! A dor! Bando perfeito do silêncio. Os lançamentos dos olhos afogar-se-ão. Ouvidos dos mortos, arruinado o ermitão e as vozes piedosas: possuirei bosques: serei ocioso e brutal! De pé! Regressa dos bosques anosos. Novamente as vidas daqui – os anos ao lado. A marinha voz. Está dito o toco de carvalho. Está dito. Não entregar ao bote as escutas. A luz, o sinal, o eremita e a única resposta. A tabica empenada, o esgarçado velame, a vida ressequida, o espectro da folha. O regato não é leito. Quatro cavalos no fundo do vento, as crinas, os espíritos. A lisa areia, de acabrunhante podridão, cobiça o poente das conchas. As estátuas de corais, norte e sul. Se restar um transparente país, os vidros. As pausas dos brancos poemas. Navega os azuis enchendo os espaços da rua. A branca mão na brisa das despedidas. Dissolve-se a noite de maio. Feito sangue, primeiro numa metafísica, depois na saudade. Eolo orgulha-se de que tudo que venta é cativo. Aponta o cume dos rochedos e desmascara os promontórios. As cidades da flutuação dos crepúsculos, o pano das velas. Que as espiadas longitudes fixem gaivotas. Que o cegante sol alastrado chame aquela noite quando os mares difamaram o fundo, delegando-lhe o silencioso súbito e emergente.

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