quarta-feira, 24 de julho de 2024

Do mar — 10

Tombadilhos de sangue! Crucificada navegação de espádua, os gozos, aqueles em cruz, outros descendo, e os postes se renovam nas espinhas vastas. Os conveses, cheios de sons, afundam e encolhem. Algumas dessas vagas ainda estão cheias, outras almas, ébrios mares. Quedas marítimas se cruzam e somem. Os marujos escalam os cabos. Distingue-se uma âncora longínqua, talvez outras costas. São ventos estranhos, os trechos de naufrágios dolorosos, restos de cais. A espuma salgada larga como a sanguessuga monstruosa. Estes lábios de sal. A faina da partilha tão igual ao beijo da tormenta. As centrais civilizações no traje da brandura. Todos os mares: tumultuoso brilho, silenciosa imensidão, sem lua e caminho. Não há mortos no convés que não se conheça. A baía clara cobriu a face, o luar, o reflexo e a lisura. O penhasco! As variações das ostentadas cores e os coroamentos carmins apropriados. E as imobilidades dos plenilúnios e os cataventos que eles interditam! O corpo marcha. A cruz erra nomes, escuridão de ruas, vidro adiáfano, luzes de peixes, alucinações e navios. A lisa praia tem boa parte no rumo da distância. Correr sucessivas vezes novas cores. Era vão o fumo. A orla descendo espremida entre os rios e barrancos, derramando-se na vela avançada através do rebocador poroso de barco pequeno, reverberando intensamente naqueles portos vagos. A tristeza caída. Linhos! Lento, o oceano. Dizei nomes de riscos fundos e não temeis revelar as escritas cartas de mar. Tardia, a pérola irrompe! Crepúsculo sobre a cidade! Que barco teria escalado esta porta, este pano que inclina os séculos? Ele dividiu os peitos e mensurou água por água os dias: surgiram as mãos qual marinheiros obscuramente dominados pelos agudos avanços da faca, pois tinham navegado em negra proa, braços do nascimento: luz e morte, coluna, cais, pirraça e repúdio.

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