quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Noite nanquim — 54

    Regressemos ao instrumento que agoniza pelo terror. Toda coisa, palavra a palavra, se escurece e se degrada na viagem eterna. O solo fumega num atordoamento. Ela já aponta na altitude, conformando e compondo a figura da morte numa única tropa de horrores. Logo existirá, ao redor de nós, as trevas da unidade. O céu se declara. Alguém se separa do pensamento. Todas as palavras nos fazem baixar a cabeça para o mistério. O silêncio toma conta de tudo: separa-nos, une-nos – uma só é a queda dele no vazio da mente. 

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