quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Noite nanquim — 48

    Houve por algum tempo no laboratório — e pela duração infinita da existência inconsciente —, houve o esquecer passeando, movendo-se, detendo-se e errando na sombra odorante e ordenada deste laboratório. Sobre a mão rosa e cinza, sobre a imaginada força, por entre os elementos, entre as filas e os corações enraizados da noite, o abismo se desloca como a íntima alma das aves. A voz o avistara. Eles não enxergavam. Havia o esquecimento entre dois pensamentos. Dos dois lados do conhecimento, a mesma poeira cinza, ou quase a mesma, pois almas cingidas, duas, moviam-se desmembradas em direção à pequenez, pois cada uma se atormentava devido ao caos interior de sua outra forma, e a criava e a recriava em si como isso, e a tornava ora muito calmo, ora muito inquieto. E ora muito inquieto, ora muito calmo. Rasgava-se e formava-se isto tudo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário