segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Noite nanquim — 47

    Aquelas águias pairam lá. No píncaro do céu, os cães de um caçador rastreiam no trajeto a revolução das estrelas de cada constelação. O mundo, no outono e na primavera, nasce e morre em ciclos infinitos. A ideia em ação inventa a experiência do voo sem pouso, da fala sem silêncio. O conhecimento e suas palavras. A ignorância e seus verbos. Não me acerco de Deus às portas da morte. Perdi a vida na vida, a sabedoria na sabedoria, o conhecimento no conhecimento. Afasto-me de Deus no ciclo dos séculos e cerco-me aqui apenas de pó.

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