Falo minha voz na voz do outro e não há como o outro impedir que isso aconteça. Muito amarga, é possível que eu, quando encher alguma medida divina, encontre o outro. É possível que esgote a substância do horror e regresse do mistério. E é possível que eu chegue perto, em segredo, por meio de feitos, de olhares de labirintos. Dédalo desregrado! Realizo o sonho de tudo. Faço a cara que corresponde à morte. Pressinto o limiar das glórias. Basta então um encontro dos olhos para que se descubra subitamente a alma. Reconheço aí a queda na mente, donos da vida e da morte. As quedas mútuas trocam sussurros e põem-se conforme a necessidade das formas. O que um é verdadeiramente no outro vê-se pelo gesto do outro.
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