Dores quebradas. Viveste no movimento do mar. No tom dos salmos, ainda a eternidade das tuas pedras. O dedilhar das matas. Com voltas, traçaste, na tua caverna, parasitas imortais. Foste o bosque, a selva, o caule! No mundo derivam pontos e traços. Aqui, onde há um ar voltado para o aposento, brilha o tempo. Rebrilhares completaram o ondear dos terraços. Uma lâmpada deixada cair. Aqui, ante o mosaico, interrogas desde sempre o riso das artes que fizestes do túmulo. Quem te cercou de cais e manhãs? Quem derramou os verões nas barras? Os volantes de névoa encantando o cais com navios da hora. Pudesse o absoluto romper a madrugada. Eterno erro da eterna viagem. Singre liberto do oxigênio da tarde. Ônix, sombras. Sem pensar na sombra da torre, sobre o convés de ferro, na linha do lago das vítimas, eterno redemoinho. Um filho aos pés do silêncio. À luz de um vapor, mares altos, plagas. Os vapores da chaminé ajuntando na roda do leme. Todas as hélices nesse chão de avarezas. O acaso ninou os rios e um apito alou o instante. Das coisas. A forma dos olhos cobria a planura, e as trajetórias encurtavam o horizonte. Os transeuntes eram sombras. Amigos e algumas estrelas. As formas ao lado do sono. Repouso de cristais. O coração de lua. Os navios de uma noite só. Os saltos das águas e a quilha do barco. Uma filomela. Praia elemental. A solidão dos albatrozes. Os tetos de azul. Antes, debaixo da praia. Ouvir o mar chorar. Um marujo, dizia para si. Recita agruras em danças. Lembra-se do pequeno porto. A voz e um momento ao lado. Nos dias, o dia. A paisagem desalinhada nas encostas. A palidez. O soluço. Atraca e larga. Os medos no medo tantas vezes. O barco já não chega. Alongadas muralhas do horizonte. As idas na chapa da câmara. A casa não se mostra longe da raiz. Lá vem a costa. Ínsula. As extensões cochicham. O chão de sombras de hulha. Faísca, o pânico navegante.
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