quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Do mar — 25

O navio levará. E há de voltar às cabines. Só então o viajar. No éter germina a faísca. Quando a terra apodrecer, continuará o dia e bailarão os marinheiros diante das espumas. Viajante perdido. O líquido das sílabas vem ao mundo. Os livros, os destinos, as reminiscências passam em redor. Apagai a canção de mar. Todos os oceanos dos livros foram reproduzidos. Uma rua conduz a mesmice logo abaixo da calçada. Para o caminho do mundo, o porto é impossível. Voam nos olhos dos navios. Nos portos, a mão do mar repete. Um farol usurpa faustos. Veio com o rubor do sol. Sacode as brisas que pousam nas velas. Sacode as flâmulas que levam o sorriso. Sacode as escadas mais altas. Fumo nos salões, nas marés das cavernas. Veja as ondas nascerem sem que o mar as levantasse. Veja como os alvedrios se esculpem em adágios. Veja como as vagas se tornam sinais. A brisa irrompe. Veja como pairam os cetros cheios de repouso. E todo o ânimo jaz turbulento, cheio de fruição e orgia. E os dias ficam abertos para as terras por onde os sonos fogem. Algumas palavras dirigem-se ao navio de ar. Alguns cantos de sereia. Então era esse? O pirata volta. Feras se juntam. O Sabbah de sangue e as carnes. A espinha das mães é pisada por crianças. Dar andor, escarcéu de explorador, rastro rude, enervado. Os inimigos gemem no passar da esperança. O horror bate e os seios ardem. E a vida é tomada nas cabeças. E esta ilha que implora sem que a sorte lhe responda? Todos os relatos ainda se movem em lares flutuantes. Incógnitos ventos semeados. Cada névoa, cada pendão, cada império na manhã do cais desaparecia. Nesta barra só há fumo. A hora da náusea. Como é estranho o cais. Ele navegava.

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