quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Do mar — 24

É este o vórtice em que os navegantes são os navegantes. É este o vórtice das esferas que os firmamentos preferiram e chamaram. É este o vórtice das humanas magnitudes das trajetórias. É este o vórtice em que a terra é abarcada e nem sequer conhece a forma. Num lamento deixado pelo mocho, numa torre lá, ele mostra morcegos. São inquietações, bosques de ilhas, selvas. Zéfiro desabando do sol. Desfile de gemas: firmamentos carregados de retalhos de lâmpadas, pedaços de dias. E os risos, os terraços sobre as terras. As ausências buzinam o sono. O orvalho da chuva hasteia as consciências. Ó amigo da lua, ó amigo dos céus confinados, singrando nas ondas, cantando nas terras, sono por sono, os leitos em que há por vezes flutuantes melodias. Ó amigo do vórtice, ó amigo de cristais modulares bailando no ar. Entre os corações femininos, o estômago fantástico arde, e, nascido do terrível intestino dos portais, as imaginações passam no minuto dos momentos. As luzes da piedade. O mar desse túmulo sacia e ativa o gado. Frontes de diadema. As mudanças do vento. Sopros e velas! Partida entre temores e pesares. Mude os dons, livre-se das flores. Cantam os mortos. Fogo de riso suando nas pálpebras. O sangue nos dentes. O dom dos lábios nos seios. Agora, os dedos e o jogo. As tartarugas! A alma de Aquiles. O momento que sedoso olha. Em seu redor os terraços de altos pisos tomam formas clariperfeitas quase falsas. E a flama das eras veste as horas. E, no vasto tempo dos poetas cheios, continua o fulcro dos instantes. E, mesmo tão cansados, singraremos irmãos dos olhares e das barbas. Lá em cima, os rubros nos peitos e as cabeças. Proas de barcos cantam os gritos dos perigos. A sombra escapa dos golpes da tempestade. Névoas dançam o verde no mastro. As afinidades do viajante.

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