O mundo esfolha o tempo ainda espaço. Dura água de sombrio espírito. A alma calcina e o errante barco perde o momento. A madrugada instável: arcano de impor sentido. Há de viver a água. Dar angústia. O gesto pisa no rosto da pedra. Que voz dos mares e das épocas, no antiquíssimo grito, rasga chamamentos e coisas? Agora jaz sem calor e sem unidade. Quebrou-se a fúria, passada e física. Abre navios no mar deserto. Frias mãos. Seco, perfeito vento. Gajeiro debruçado. O corpo corsário. Que virgens ondas teriam singrado aquele mastro carregado? Dantesco relâmpago. Como te chamas? A mareta levantou-se indiferente. E longe a noite em marítimo ciclone. As manchas dos rostos, brunos de mortes e acusações abreviadas. Nas esquecidas mesas das tabernas, prendem-se estremecidas cordas. Titubeia por ruas magras. Poliposo papel conduzido, com folhas antigas e aéreas paisagens. Dragões da insônia estrangulam musgos. O dedo apaga o segredo dos pinhais. Nenhuma sílaba lavará o abandono. Os ossos são pequenos e longínquos. Chamará, em vão, pelo mar, que no fundo vê papel em branco. Ele morrerá sem-terra e sem obras, sem lágrimas. Morrerá entre nadas iridescentes, olhos de papéis e acasos de tintas. No húmus dos dedos – eras sereno.
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