quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Do mar — 22

A época rejeita a voz dos mares. O cais soa quando o navio passa. Estala a praia. Os mares batem, e a extensão deslancha. A chegada ao porto soa quando os soluços parecem absurdos. No seu êxtase canta o silêncio. Soam quando na ida das horas. Marulho dos sentidos. Dois navios antigos. A poltrona reclinada e os laterais sonhos. No pulso se desuniu o que a onda unia. Acaba cada alma. Risco com um risco mais regressado. Barco nomeado e arfado. Unem-se às águas, aos terraços e aos chãos. O outro sol luminoso e visível banhando os cabos. As aves a falar em cada ilha. Entre as enseadas cercadas de conchas, os coqueiros em espanto no areal nu. A safira rápida de trêmulos prodígios. A memória longa das costas. O alvedrio pela plaga. O côncavo duma vela. Ó cativo enervado, encapelado, inutilmente vaidoso. Abrem-se vitoriosas foices febricitantes. Só o brilho passou inabitável. Subindo do espaço fero, expressões frescas rolam, lânguidas rolam, embora a cabeça passe. Há essencialidades acesas cujo mistério destrói o êxtase das horas. O mar que sente ao longe as rochas, tudo se cala para escutar o espanto do espaço, e o azul é o próprio rito. Estranhos nas terras aonde chegam. O equador que se afasta. O curso do polo que os arrasta, as latitudes geladas que os rasgam. O mais velho bailar da rocha. É este o olhar no qual se cala o cintilante marujo.

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